PROJETO BTS
IV – 29 de outubro de 2017 VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS
Não pode haver História sem Geografia, porque não há tempo sem espaço. O fato histórico, portanto, está sempre referido a um ou mais lugares. A Baía de Todos os Santos, descoberta por Gaspar de Lemos em 1500, voltando para Lisboa, foi nomeada por Gonçalo Coelho no ano seguinte, no Dia de Todos os Santos, sendo bem maior que esta hoje considerada, entre o forte na ponta de Santo Antonio (Farol da Barra) e a ponta do Garcez (em frente ao extremo sul da ilha de Itaparica), com essa barra hoje oficialmente mapeada pela Marinha do Brasil.
Em verdade, seus descobridores logo perceberam que o recuo da linha da costa, navegando do sul para o norte, já determinava o seu início na margem sul do atual Rio Una, no chamado Morro de São Paulo, onde os colonizadores logo construiram uma fortaleza – como o faziam sempre onde estivessem – como também o fizeram na ponta de Santo Antônio, igualmente com uma fortaleza, para proteger a entrada da baia, no seu outro extremo em Salvador, sendo, assim, a barra da BTS a linha reta entre essas fortalezas, nessas pontas. A comprovação científica disso está no fato de que a capitania hereditária da Baía de Todos os Santos faz o seu limite sul exatamente no Rio Una, onde começa a Capitania dos Ilhéus. Que interesses políticos, econômicos ou financeiros alteraram historicamente a geografia, ainda não foram determinados, não sendo conhecidos, mas já é hora de rever esse erro, científicamente. Ou se faz isso, ou se passa atestado de burrice…
A repercussão social, política e econômica dessa correção científica não será pequena, a começar pela quantidade de municípios que passarão a fazer parte do Recôncavo Baiano, anexando pelo menos mais três rios importantes desaguando na baia, ao sul de Itaparica, inclusive o próprio Una. Se alguém achar insuficiente a prova geográfica, pode-se apelar para a geologia e ir buscar a causa da formação da baía, com o afundamento de terras que foram inundadas pelo mar, quando – antes – se podia ir a pé da atual Praça Municipal, em Salvador, até a atual ilha de Itaparica. Já fizemos essa denúncia outras vezes, em alguns lugares, mas a falta de receptividade para ela já incomoda e nos traz a desconfiança de que isso pode não ser apenas ignorância. Afinal, o noticiário da televisão nos está a mostrar o verdadeiro caráter dos brasileiros… que mexem com interesses políticos!
O PROJETO BTS não é político nem ideológico. É puramente científico. Nem mesmo pretende ser cultural. O que se chama Cultura, é, como se diz, uma “Maria vai com as Outras”, mostrando a cara e a roupa que interessa, conforme o momento e a companhia, inclusive sem cara e sem roupa, apresentando a arte como um “vale tudo” a aceitar as individualidades que não sabem se impor às coletividades, se é que isso pode ser entendido, compreendido, na sua contradição.
Assim, pelo menos uma vez por ano, sob a égide da descoberta da Baía de Todos os Santos, podemos trazer as questões dessa área do território brasileiro, buscando alguma luz para iluminá-las.
Adinoel
