PROJETO BTS
V – 30 de outubro de 2017 VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS
Entre as abordagens econômicas que se costuma fazer, relacionadas com a BTS, destaca-se a que ventila setores do turismo, dito receptivo. A recente tragédia que a colocou em toda a mídia nacional, com respingos na internacional, com o naufrágio de uma lancha da travessia Salvador–Mar Grande, apenas arranhou um problema sério e visível no cotidiano: a extrema confiança dos baianos nos santos de todas as religiões, entregando a eles o destino de quantos utilizam os mais diversos meios de transporte, turistas ou não. Quem conhece o turismo no Mar Mediterrâneo, desde o Algarve português, passando pela Costa Brava espanhola e a Côte d’Azur francesa, chegando finalmente à Riviera italiana, sabe que geograficamente, a Baía de Todos os Santos é muito parecida. Toda a semelhança, no entanto, fica apenas na geografia.
Nós não aprendemos ainda, que turismo se faz com gente. Gente que paga serviços a gente que os presta. Só isso. Gente educada. Vamos repetir: gente educada, que completou pelo menos o curso primário. O naufrágio da lancha que matou moradores de Mar Grande, que dormiam lá e trabalhavam em Salvador, se não foi causado pela ignorância dos passageiros, pelo menos foi agravado por isso. O que virou o barco foi, antes de tudo, o movimento brusco das pessoas a fugir das ondas de um lado, correndo todas juntas, para o outro bordo. Se as pessoas morreram porque ficaram sob a embarcação ou não sabiam nadar, ou ainda porque não tiveram acesso aos salva-vidas, é consequência daquele movimento de desespero, porque, naturalmente, não queriam se molhar com a água das ondas (parece que não havia cortinas de lona ou elas não funcionaram).
Há décadas, costumo fazer o trecho e já vi ondas de dois metros ao meu lado, como uma parede de água, nessa travessia. A lancha sobe e desce, surfando e incomodando, mas nunca senti perigo e nunca me levantei do banco para trocar de lugar. O desespero em massa, mais conhecido como pânico, é o maior assassino do planeta. Nunca mata uma só pessoa. Mata também em massa. O que causa o pânico, salvo as famosas exceções, é a ignorância também em massa. Vamos deixar de arrodeios e aceitar que a população baiana, em números consideráveis, é ignorante, substituindo o conhecimento pela fé e a esperança. O ignorante tem medo da própria sombra e pode matar o vizinho, fugindo de um perigo que só existe na sua cabeça.
Não vamos dizer que a lancha naufragou só por isso, mas quando há outros problemas, a ignorância os agrava. Os nossos políticos que só querem votos e o que ganham com estes, têm arrepios quando se fala em educação. Há candidatos a vereador que não sabem sequer arrumar um discurso na cabeça e raros são os que têm um conteúdo mais complexo que o mundinho das festas, dos shows contratados para os comícios e do “rega-bofe” que promovem com o dinheiro da corrupção ou sem corrupção. Infelizmente, isto tudo é assunto da Baía de Todos os Santos, que está sendo invadida por ex-moradores de Salvador em busca de cidades-dormitório à beira da praia. Também este é assunto para falar no aniversário da BTS.
Adinoel
