TUDO É EVOLUÇÃO

Finalmente, somos obrigados pelo raciocínio lógico – base de toda a ciência –  a considerar que no campo fixo referencial do Universo, infinito e eterno, a evolução da consciência começa naqueles já referidos tetraedros inseridos em cubos infinitesimais que saltam para formar conjuntos (partículas em linha e em bloco) psíquicos livres. Esses objetos, sólidos geométricos, movimentam-se em translação e rotação – com spin – no espaço psíquico das velocidades maiores que a da luz – até infinitas – e assim evoluem na composição dos átomos, que se unem para formar moléculas, células, corpos inertes e vivos, inclusive planetas que giram em volta de estrelas, estas como “elétrons em volta do núcleo atômico…” formando galáxias que se comportariam como outros “átomos”, numa realidade mais complexa do espaço infinito e eterno. A consciência, assim, está em cada galáxia, em cada estrela, em cada planeta, em cada rocha – montanha ou mar – em cada corpo – certamente o humano – em cada objeto, em cada molécula, em cada átomo, em cada partícula, em cada onda – em cada fóton – em cada cubo infinitesimal formado por quatro tetraedros e em cada posição de infinitos pontos justapostos em eixos tri-axiais, que formam esse espaço considerado como o Universo, para o qual podemos propor – resumidamente – uma dualidade constituída pelo campo fixo referencial, a partir daqueles tais pontos justapostos em eixos tri-axiais com um infinitésimo de distância entre si, no qual se movem – trocam de posição –  os conjuntos finitos de consciência – objetos – assim formados.

O CAMPO

 

É geométrica, matemática e logicamente comprovado, por definição e por equação, que o ponto não tem dimensão, mas sim, posição definida no espaço infinito e eterno do Universo, como elemento de toda a estrutura da consciência universal, devendo aquela consciência, do ponto, estar em todos os lugares ao mesmo tempo, quando sua velocidade é infinita. A evidência disso está no fato de que no início, se a duração da consciência (o tempo) é zero, a velocidade e/t é infinita. Assim, estamos na Atualidade, isto é, na Psíquica. Se assim não fosse, o espaço infinito e eterno deste nosso Universo simplesmente não existiria.

É ele – o ponto – portanto, o elemento original e sempre presente desde a base, na construção do Universo e responsável por toda a evolução da consciência que o construiu, criando o espaço e o tempo e utilizando uma única ferramenta, feita por estes: a velocidade. Assim, a consciência promove o movimento, porque é informação, isto é, o conhecimento da existência de uma posição e da mudança dessa posição, ou seja, do desaparecimento em uma posição e o aparecimento em outra, vizinha ou não. No campo da Psíquica, isto é, da atualidade, o ponto pode “sair” de uma posição para outra – seja qual for a distância entre eles – sem intervalo de tempo (desaparece num lugar e aparece em outro), porque, em verdade, esse ponto já está em todos os lugares e o que troca de posição é apenas a sua consciência num determinado momento.

Assim, os campos da Física e da Psíquica estão separados pela velocidade da consciência, respectivamente menor e maior do que a da luz, ambos simultaneamente no mesmo espaço fixo referencial infinito. Na Física, os fenômenos se submetem a velocidades que variam dos 300 mil quilômetros por segundo (do fóton) até zero (do repouso). Na Psíquica, varia desde esses 300 mil quilômetros por segundo até a infinita, quando o Universo era um espaço vazio e inerte, no tempo zero. Houve época em que só havia a Psíquica em todo o espaço, antes do Big Bang. A consciência se estruturava paulatinamente para atuar no campo fixo referencial onde as velocidades dos objetos eram superiores à da luz, mas decrescentes com o crescimento da massa e da duração da consciência (do tempo), mantendo-se, contudo, a velocidade infinita para o ponto que ocupava, ocupa e ocupará todas as posições do campo infinito, em todo o tempo.

Vemos, em todo o processo, somente uma lei: a do acaso e necessidade. Assim, tudo foi feito porque não poderia deixar de ser do jeito que foi – o espaço como leito para a duração da consciência – o tempo – se impor e esta percorrê-lo ao acaso, isto é, sem sistema e sem ordem – assim estruturando conjuntos mais “massivos”, objetos psíquicos que cresceram em massa e em número, com aceleração negativa, assim reduzindo sua velocidade. Montava-se o cenário no espaço escuro para as partículas psíquicas – conjuntos de objetos – que se formavam e o percorriam em velocidade decrescente, com atração crescente, chocando-se e unindo-se os blocos de consciência que não apenas se deslocavam em translação, ao acaso, mas também giravam em movimento radial, por necessidade, aumentando a força de atração, igual à “massa” psíquica multiplicada pelo quadrado da velocidade[7]:

F = m.a = m.v²/R = m.v²  ( [8] )

sendo a aceleração radial V²/R,

quando R é o raio do movimento de rotação igual a 1 infinitésimo.

 

Temos, portanto, que o espaço é o campo e a consciência fixa, imóvel, do campo é um referencial infinito e eterno. Os pontos formam conjuntos de consciência – objetos – que se movem psiquicamente nesse campo com movimentos linear e radial, agregando massa – compondo partículas – e reduzindo a velocidade. Em cada elemento e em cada fenômeno, a partir da consciência do ponto que muda de posição, tudo é consciência que promove a evolução no espaço infinito e no tempo eterno, criando uma força psíquica de atração (“amor”) pela necessidade de voltar a ser um só ponto que se espalhou pela ação da velocidade infinita e pelo acaso de estar num espaço também infinito a ser totalmente ocupado, assim surgindo a consciência universal, não como criadora, mas como criatura em permanente evolução.

Este é o campo fixo da atualidade PSÍQUICA, constituído apenas por posições puntuais que são a referência para o movimento da consciência daquelas outras posições que se unem para formar os tetraedros que compõem e estruturam cubos infinitesimais livres, a estruturarem, por sua vez, evolutivamente, as partículas e as ondas, com as quais são montadas a (quase)matéria e a (quase)energia “escuras”  porque anteriores à luz e mais velozes que esta, que, ao surgir com o fóton, não consegue chegar a elas – sua velocidade é menor – e iluminá-las. Por isso, escuras… também após o Big Bang, mantendo-se o campo fixo referencial, mas alterando-se os objetos, a partir de então bem mais massivos e complexos, com velocidades menores que a da luz, assim surgindo o campo da realidade FÍSICA no mesmo espaço infinito e eterno.

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OS OBJETOS: O EGO

Quando a Ciência é desafiada a penetrar em poços e túneis escuros, tendo a obrigação – por natureza e missão – de iluminá-los, cumpre-lhe vencer o comodismo e o medo para enfrentar a ignorância com o raciocínio lógico necessário a ela, assim herdeira da Filosofia, que sempre foi, mais que apenas o seu primeiro passo, o primeiro degrau, não bastando o acaso de ir em frente, sendo necessário subir.

Nessa missão, quando ainda não se deu nome a um objeto ou um fenômeno que a Ciência ignora, em suas limitações, mister se faz ir buscar o que já se pode comprar no mercado. Neste texto, já estamos fazendo isso com o significado de consciência, assim como de massa, colocando essas palavras em alguns lugares entre aspas, justamente para lhes dar uma conotação diferente da usual, ou seja, alterando-a para a de “consciência” como sendo o conhecimento das próprias entidades e atividades psíquicas também fora do cérebro (consciência intrínseca aos tetraedros, cubos, partículas); e a de “massa” como quantum, isto é, quantidade de elementos e posições geométricas e matemáticas em conjuntos psíquicos (massa de cubos contendo quatro tetraedros, por exemplo).

Cada vez mais complexos e volumosos, com o crescer do tempo, esses agregados de tetraedros, cubos, etc. assim considerados mais massivos e menos velozes, estruturados em linhas e em blocos, são objetos psíquicos, convivendo com os mais velozes e menos massivos, numa sopa escura, onde, repentinamente, “objetos” escuros ganham a companhia  de uma partícula portadora de luz, seguida de outras… e outras, assim surgindo o fóton, emitindo radiação de fundo e promovendo a iluminação do espaço e uma expansão generalizada, também surgindo a energia e a matéria, antes escuras – no campo psíquico, com velocidades superiores à da luz – e depois como as conhecemos em nossa realidade física, inicialmente com as primeiras partículas de “quase-matéria” (quamas)[9] e depois, com os elétrons, os prótons, os neutrons, etc. organizando-se em átomos… cada um com a sua consciência mais complexa, caindo em velocidade e aumentando em massa e ondulação. As duas realidades convivendo no mesmo espaço, separadas apenas pelo comportamento, acima ou abaixo da velocidade da luz. A realidade da Física, isto é, a da luz, iluminando seus próprios corpúsculos, movendo-se abaixo dessa velocidade; e a da Psíquica, cujas partículas, mais velozes que a luz, escapam desta e são mantidas no escuro, em convivência pós Big Bang.

Sim, o Universo é – sempre foi, sempre será – um lugar escuro, com energia e matéria escuras, movendo-se com velocidades superiores à da luz, inclusive infinita. Nele, a evolução da consciência, crescendo em massa e em complexidade, reduziu a velocidade até anulá-la, com o repouso. No meio desse caminho, criou a luz e com ela, a Física. Após uma fase de expansão ultra-rápida – dita “Inflação”, quando surgiram os quarks, que formaram prótons e nêutrons – começou outro processo, das estruturas mais complexas e da organização do espaço cósmico, anteriormente caótico, passando-se assim do Caos ao Cosmo. Não precisamos expor e repetir o que todos já sabem ou podem aprender facilmente numa biblioteca universitária. Nossa proposta, com esta linha teórica é estimular o estudo do que ainda não está nas vitrinas do conhecimento científico, mas precisa ser mostrado.

NA NATUREZA, NADA SE PERDE. TUDO SE ACUMULA.

ASSIM COMO A FÍSICA ESTUDA AS LEIS DA MATÉRIA A PARTIR DAS PARTÍCULAS E AS DA ENERGIA A PARTIR DAS ONDAS; A PSÍQUICA ESTUDA A CONSCIÊNCIA, A PARTIR DO EGO.

O ego é a unidade ou o conjunto de consciência que demonstra o conhecimento da sua posição, das suas dimensões, da sua massa e das suas funções, determinando sua existência e natureza e promovendo sua evolução. Em outras palavras: tem o conhecimento de si mesmo. Assim, o ego primordial é o do ponto, que tem a consciência de sua posição, sem dimensão e sem função, além daquela essencial, de compor e estruturar o espaço vazio. Um ponto, no espaço cósmico universal – vamos sempre lembrar – é a consciência de uma posição determinada pela interseção de três linhas retas ortogonais, entre uma infinidade de linhas retas paralelas ortogonais, todas elas separadas, umas das outras, pela distância de um infinitésimo. Não existe como entidade, como um ser qualquer, mas apenas por estar na interseção de tais eixos, de modo que, retirados os eixos, ainda existiria como posição. Assim, não é causa ou princípio de coisa alguma, além de ser a consciência dessa posição, entre uma infinidade de todas as outras que constituem, juntas, o espaço infinito e eterno. É fundamental salientar que sua consciência é apenas de posição relativa, entre uma infinidade de outras, de modo que nada, além disso, caracteriza esse “ego”, mas pode ser um dos quatro vértices de um tetraedro e ganha mais um referencial, em relação a sua posição nesse tetraedro, assim como em relação aos tetraedros vizinhos ou mesmo ao conjunto de tetraedros unidos em linha ou em bloco, inicialmente na composição de um cubo e em seguida com a união de outros cubos de lado infinitesimal. Está claro, que não podemos falar ainda em “pensamento”, em “sentimento”, em “conhecimento”, em “inteligência” – coisas comuns aos egos complexos e enormes que estão nos cérebros – mas fazemos essa abordagem para mostrar desde onde estes evoluiram. Exatamente desde o nada…

O lugar mais recuado no tempo, após o ponto, que podemos atingir nessa evolução é o do “ego” que se encontra no conjunto “familiar” dos tetraedros que compõem uma das unidades geometricamente sólidas e livres no espaço cósmico – um cubo – entre milhões ou trillhões de outros assim infinitesimais, que se desloquem “socialmente” ainda acima da velocidade da luz, como partículas ou ondas de proto-matéria ou proto-energia hoje ainda consideradas como “escuras” – não havendo assim a luz no Universo, por ainda não se ter chegado à massa ou à velocidade do fóton – um pacote de energia em movimento ao qual sua consciência já teria agregado novas experiências, como a da velocidade em desaceleração ou a da “massa” em crescimento. Não temos idéia do tempo que foi necessário, para tetraedros, cubos, dodecaedros, etc. se juntarem e formarem estruturas de partículas (em bloco) e ondas (em linhas) que compuseram o fóton – uma coisa e outra – em sua “proposta” reveladora da luz. Nem estamos cuidando do que veio logo a seguir, bastando marcar eventos significativos como o do aparecimento das estrelas, com ou sem planetas, assim como o das galáxias, com todo o potencial de consciência nelas existente e também a energia potencial envolvida em seus fenômenos.

Não é do escopo deste trabalho fazer a história de processos já muito bem estudados, mesmo os ainda incompletos, em campos como o da Astrofísica e o da própria História do Universo enquanto proposta de pesquisa, mas sim, ter como foco a evolução da consciência desde as estruturas cósmicas até as da personalidade em suportes energéticos e materiais, à sombra dos fenômenos físicos e psíquicos.

Provoca-nos o desejo de iluminar sumariamente a sequência de eventos que antecederam o surgimento do Sistema Solar e particularmente o do planeta Terra, o único que nos dá notícia da vida, onde aparece uma linha de evolução física e psíquica que provavelmente não é única na nossa galáxia e em todo o Universo. Temos conhecimento de etapas da evolução na Terra em que só havia, nela, os minerais que formaram todos os planetas, assim como as do Sol como fábrica de energia, sendo já aceita a presença da energia solar como fonte necessária à vida. Ansiamos todos por saber o que e como tais processos se repetem no espaço cósmico e como nos relaciona(re)mos com eles, lá, como aqui.

O que evolui seria um quantum de consciência individual – ego – que prossegue com estruturas de maior complexidade, na matéria, num corpo mineral, vivendo experiências (relações de contato com o ambiente) assim aumentando o nível de consciência molecular, até que cada molécula necessitaria de característica mais complexa, ocorrendo por acaso e necessidade, alteração molecular, daí surgindo a de ADN e em consequência, a da célula, onde esse ego (personalidade consciente) continuaria seu processo evolutivo, sofrendo as agruras do ambiente e se adaptando a ele, inicialmente em um indivíduo de caráter unicelular, em seguida multicelular, contribuindo, a consciência de cada célula, com suas funções, para a maior consciência geral do ser físico material vegetal. Da mesma forma, essa personalidade passaria por estádios de desenvolvimento e evolução sempre consciente em sucessivos períodos de vida, gerando plantas cada vez mais complexas para atender a necessidade de desenvolvimento do ego, que, em determinado estádio, necessitaria de estrutura capaz de separar-se do solo e mover-se nele, com liberdade, retirando – com a respiração – alma (anima = movimento) da energia solar depositada no ar, assim nascendo o ser animal, inicialmente simples e coletivo, ao comando de um indivíduo (a rainha da colônia), evoluindo para o ser individual, todos com nascimento e morte, geração após geração, capitalizando experiência com sofrimento necessário à evolução. Já sabemos muito sobre todos os seres animais e cada passo da sua evolução física desde os insetos em colônias dominadas por rainhas, os peixes e as aves em bandos que se movimentam ao comando de um líder, também os rastejantes e os sauros em terra firme, que se reduziram aos repteis com um cérebro que evoluiu para o dos mamíferos, entre os quais o homem. Não precisamos nos deter nessa linha evolutiva plenamente divulgada e ao dispor de todos em outras fontes, mas temos obrigação de salientar que sua evolução não é apenas física, mas também e sobretudo psíquica, de modo que ocorreu uma sucessão de egos mais complexos, de espécie para espécie e de indivíduo para indivíduo, até o animal humano.

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REFLEXÃO FINAL

Neste  momento, é necessário introduzir no conceito de evolução a ideia de que a reprodução, entre o nascimento e a morte, não visa apenas aumentar o número de indivíduos, cada um com seu ego. Já vimos que a vida penetra no corpo por meio da alma, que é apenas a energia do Sol, necessária ao movimento (anima), que faz o animal, quando se tira a energia fornecida pela mãe ao se cortar o cordão umbilical do recém-nascido. Há um erro cultural milenar que entende e divulga ser essa alma o ego, o caráter, o intelecto mortal ou imortal. Seria o mesmo que dizer a quem tem computador, que ao ligá-lo na tomada para receber a energia da rede pública, estaria introduzindo nele os programas necessários ao seu processamento e memória. Um absurdo! Mais que simplesmente evidente, é racionalmente comprovável que o ego neural que surge no cérebro e traz instruções genéticas para administrá-lo, respondendo pela memória e comportamento do indivíduo durante toda a sua vida, recebe dos pais e transfere tudo o que deve ser herdado por filhos e netos através dos genes.

O cérebro animal já tem o seu ego neural desde o momento em que o feto se forma no útero materno. Ele gere apenas os processos fisicos e psíquicos do animal, que coordenam a vida e a morte fisiológicas e psicológicas deste, inclusive o pensamento racional e a consciência neural, com a memória daquele período de vida, no cérebro. Sabe-se, contudo, que a morte cerebral destrói todo o corpo físico e toda a memória que se encontra ali. Assim como, que o indivíduo pode transmitir apenas sua carga genética para os filhos que tiver. Não é, portanto, por esse meio que se preserva sua personalidade – seu ego – para a posteridade. O que a religião chama de espírito, considerado eterno, a ciência deve aceitar como o ego eterno que está fora do corpo animal e se liga ao ego neural no cérebro –  este já funcionando desde o ventre materno – no momento em que o pulmão recebe a alma (a energia solar), com a primeira inspiração do ar. É este o procedimento análogo ao qual já nos referimos em linhas atrás, quando fizemos referência aos programas inseridos no computador, ao se instalá-lo. Este detalhe é de enorme importância para o estudo da evolução do indivíduo animal.

Já é necessário ajustar a grande contribuição de Wallace-Darwin (o estudo da evolução das espécies) em face às novas descobertas, inserindo-a no contexto da evolução da consciência em geral. A vida no planeta Terra começa com a célula, evoluindo de uma combinação de moléculas orgânicas que chegam ao ácido desoxirribonucleico – como já vimos – daí surgindo os seres unicelulares e em sequência os microorganismos e todos os outros seres, no reino vegetal – sempre conscientes da própria existência, de suas trocas com o ambiente e do seu processo de reprodução, assim como da própria evolução em direção ao ser animal, que – também já vimos – realiza o “milagre” de desligar-se do solo e mover-se com liberdade, sobre ele. Qualquer estudo nessa área nos põe em nossa própria evolução, com a consciência de nosso ego individual vindo a acumular experiências vividas e sofridas, entre erros e acertos na escola da vida. Se pudéssemos consultar agora, em vida, nosso diário eterno individual, desde nosso primeiro corpo como inseto, com sua primitiva nervura instalada quase só para as necessidades cotidianas de locomoção, alimentação e quase nenhuma comunicação; provavelmente não conteríamos lágrimas de emoção, pelo progresso de nossas ações, que nos trouxe até esta posição atual entre os seres humanos, considerados os mais evoluidos neste planeta.

Mister se faz, a guisa de organização do pensamento nesta leitura, citar os progressos da consciência animal enquanto rastejantes, voadores e nadadores ou mergulhadores, desde que vivemos em colônias de insetos a serviço de suas raínhas, morrendo para voltar como consciência não mais coletiva, mas ainda como indivíduos em bandos (de aves) ou cardumes (de peixes), obedecendo em vôos e nados ao comando de um líder – quem ainda não viu o espetáculo aéreo das andorinhas em evolução no ar, mudando todas de direção ao mesmo tempo, como se fossem um único corpo? – assim considerando o contínuo progresso da consciência já com propostas de organização e método. É necessário também observar a evolução do próprio cérebro, desde aqueles filamentos neurais, passando pelo reptiliano, até chegar ao humano, no qual a consciência se organiza e divide em camadas responsáveis separadamente pela gerência da vida animal e pela organização das atividades sociais e culturais, que já aparecem desde os insetos, mas desenvolvem-se a partir dos mamíferos que se destacam como indivíduos em grupos organizados e famílias amorosas. Passo a passo, a consciência dita as normas e os costumes, organiza as comunidades, determina os destinos, tão mais evoluídos quanto mais individuais. É como indivíduo, que o animal passa da fase puramente animal, valorizando apenas o movimento (anima), com pouca atenção para o intelecto.

Como intelectual, o homem domina a Terra, mas ainda é ameaçado por micróbios e virus transmitidos por insetos. Nessa etapa, no topo da evolução da consciência, o animal humano criou estruturas sociais, políticas e econômicas de extrema complexidade cultural, mas convive com resquícios de sua etapa anterior, selvagem, bruta e violenta, cultivando manifestações de alegria em eventos coletivos onde, por exemplo, pouco mais se tem do que a repetição de sons e movimentos por estes estimulados ou a observação de grupos treinados para colocar uma bola, com os pés, num retângulo relativamente pequeno, às vezes dedicando-se noventa minutos da vida a essa atenção, sem ver sequer uma bola dentro dessa meta. Assim, embora dotado de equipamento intelectual – o cérebro – o ser humano em sua quase totalidade, valoriza mais as atividades animais, patrocinadas pela paixão, buscando emoção, isto é, cultivando ações que o põe em movimento, com esforço físico. O processo evolutivo tem pouca resposta da atividade educacional para promover a cultura intelectual na grande maioria das nações espalhadas pelo planeta. Por outro lado, o fomento dessa atividade animal atrasa a evolução humana, quer como intelectual, quer como direção para a etapa sapiencial, passando da cultura da inteligência para a da sapiência, na qual estariam os seres divinos, conscientes de sua personalidade eterna, conhecedora do Universo.

Em poucas palavras, finais, o que fica é a certeza de que, sem a Psíquica, a Física é um chapéu sem uma cabeça, assim se explicando porque os físicos se batem para completar o quadro energético e material pós Big Bang, sem sucesso e até mesmo sem farol para iluminar o caminho na escuridão cósmica. Do ponto até o cérebro humano, a consciência evoluiu pouco. Há muito mais evolução pela frente, desde o cérebro intelectual até o equipamento sapiencial que desponta à nossa frente, como destino, que poucos alcançarão, ao encontro de Deus, não como o Criador do Universo, mas como Criatura cuja consciência avançou desde os primeiros tetraedros, sempre atuando na transformação do espaço infinito e eterno e chegou primeiro no topo da evolução, onde cada um de nós pode chegar com o seu ego, passando de intelectual a sapiencial.

Em 22 de Setembro de 2016

 

Adinoel Motta Maia

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