PROJETO BTS
VII – 01 de novembro de 2017 VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS
Nos idos de 2011, escrevendo sobre os 75 anos de história do Yacht Clube da Bahia, recebemos uma mensagem bem educada da professora que fazia a revisão dos textos daquele volume, alertando-nos para a necessidade de colocar hífens antes e depois do artigo “os” na palavra Baía de Todos os Santos (assim: Todos-os-Santos). Era seu trabalho profissional e disciplinado, obedecendo os adoradores de regras, sem as quais pode-se ser atropelado ao atravessar ruas, mas não deveriam existir para quem pensa por conta própria e por este ou aquele motivo, conscientemente, faz suas próprias regras. Mandei um recado que ficasse tranquila, pois livraria sua responsabilidade, assumindo com nota de pé de página (pé-de-página?), que o erro era meu, consciente. Mera indisciplina. Bendita indisciplina que não prejudica ninguém e principalmente não torna feia uma expressão tão bonita quanto o nome completo da nossa querida baía. Todos precisam entender que nomes próprios não podem seguir regras, é questão histórica, vale a ortografia da época do registro, doa em quem doer. Neste aniversário da nossa BTS, prego a insubordinação: cada um que escreva o seu nome como bem entender. O importante é que entenda o que faz e não faça apenas o que se manda, sem consciência. É uma necessidade obedecer as regras, inclusive as idiotas, porque aí já há o risco de vida a ser considerado. Quando se trata de puro manejo intelectual, no entanto, que prevaleça a vontade, ainda que puramente estética, de cada um. O máximo que pode ser aplicado, como pena – em tais casos – é a acusação de peja.
Nesta VIII Semana da Baia de Todos os Santos, estamos comemorando os 516 anos do momento em que ela recebeu, de Gonçalo Coelho, o seu nome atual, em lingua portuguesa. Evidentemente, os indios já se referiam a ela com outra designação, não necessariamente um nome próprio, talvez apenas o do seu significado, uma referência (sonoramente, quirimurê), separando suas águas, daquelas outras, sem fim, além da terra vista, olhadas como nós olhamos para o céu azul sem nuvens. Isso aconteceu em 1º de novembro de 1501, que se comemora como o dia da descoberta da BTS. Em verdade, o primeiro português que a viu estava no barco comandado por Gaspar de Lemos, no início de maio de 1500, provavelmente o marinheiro que trabalhava na sua proa, mas certamente cabendo ao comandante registrar no diário de bordo mais aquele lugar a ser marcado com a sua latitude, descrevendo-o certamente, como a maior baía já vista por ele, seguindo instruções do Pedro Álvares Cabral, ao determinar sua volta a Lisboa, mandando-o anotar a latitude de tudo o que descobrisse, até o final da “ilha” onde pensava estar, no meio do oceano, com dia e hora, como de hábito, conforme os ensinamentos do físico João.
Quem descobriu a nossa BTS, portanto, não foi o Gonçalo Coelho em 1501, mas o Gaspar de Lemos, em maio de 1500, assim como todos os rios por cuja foz passou, entre os quais, o São Francisco, anotando a latitude de cada lugar, medida com o astrolábio, até a ponta no Rio Grande do Norte, onde iniciou a travessia do oceano. Seria muito burro, o Rei D. Manuel I, se não mandasse o Gaspar de volta, com o Amerigo Vespucci e o Gonçalo Coelho, na expedição por este comandada.
Adinoel
