Introdução
Para início de conversa, é necessário esclarecer de qual universo iremos tratar. Do Universo infinito e eterno ou deste universo que é a nossa morada e tem um espaço limitado?
Somos compelidos a aceitar a existência cosmográfica (da qual é parte infinitesimal, a geográfica) com a consciência do espaço, assim como a existência cosmocrônica3 (da qual é parte infinitesimal, a histórica) com a consciência do tempo. Também somos íntimos do dito “espaço-tempo” da realidade física e cultivamos a memória da consciência em evolução, ou seja, do ego. Desde já, convém evidenciar: embora haja a consciência do repouso, jamais há repouso na consciência.
Ousamos propor que a consciência seja considerada o único conteúdo do continente Universal, seja no seu estado anérgico (apenas do espaço tridimensional), seja no enérgico (do espaço tetradimensional, dito “espaço-tempo”4). Tudo o mais – observado ou experimentado – seria derivado da sua manifestação. Por isso, mister se faz esclarecer, logo, por que a verdade é pessoal, individual. É composta no cérebro a partir das observações, informações e experiências pessoais, guardadas e processadas pelos neurônios, que promovem e desenvolvem a consciência em contínua evolução. O laboratório psíquico, no homem, portanto, é individual, pessoal. A verdade comprovada nesse processo, numa pessoa, só chega a outras se aquela a divulgar. Chega, assim, como informação a ser processada no cérebro dessas outras, que a poderão considerar ou não. Se uma nova informação entra em conflito com todo o passado intelectual destas, haverá uma resistência difícil de vencer. Não raramente, o que é certeza para alguém, é dúvida ou inaceitável para outrem. Não há como provar para todos a nossa verdade, portanto, sem lhes dar a observação, a informação e a experiência nossas, para que eles também as tenha e processe, no seu cérebro, individualmente, durante o tempo necessário para isso.
A dificuldade, aí, é que uma pessoa que chega à sua verdade após décadas de observação e experiência, suas, próprias, não a consegue provar para aquelas que recebem seu resultado em poucas horas de leitura ou mesmo dias de estudo, sem estas fazerem a mesma observação e sofrer a mesma experiência. Isso porque a verdade é o resultado de um processamento psíquico e este é sempre individual.
Vamos começar esta síntese – premida pela escassez de páginas – com a idéia de um espaço infinito e um tempo eterno: cosmografia e cosmocronia, sem limites. Há quem tenha dificuldade de aceitar um quadro assim ilimitado e por isso o nega, mas nos parece evidente que há sempre algo antes e depois de qualquer coisa, seja qual for o caráter ou a natureza desta.
Estatisticamente, trabalhamos com universos e amostras e sempre é possível encarar um conjunto como universal, dele retirando uma ou mais amostras. Nessa concepção meramente instrumental do universo, podemos ter tantos deles quantos necessitarmos e dizer, por exemplo, que cada ser humano é um universo a ser estudado. Isto não impede de empregar o mesmo termo, por falta de outro melhor, para o que seria o universo mais geral, como o conjunto de todos esses conjuntos parciais, particularmente também universais.
Vencida essa dificuldade semântica, vamos grafar com inicial maiúscula – Universo – apenas aquele “espaço-tempo” infinito e eterno, absolutamente desconhecido por nós, seres humanos, nele inseridos como entes infinitesimais. É, portanto, impossível, ao homem, conhecer o Universo e sequer imaginá-lo no seu todo e nas suas partes, salvo aquelas mais próximas, às quais possa observar ou visitar.
Ainda não sabemos se o que temos na cabeça pode ser uma teoria científica, porque nossa proposta exige uma base que ainda está fora de qualquer ciência, sem a qual não se pode sustentar. Somos obrigados, assim, a propor uma nova ciência para o estudo de uma situação ainda inatingível, que nos impede de realizar observações com a exatidão desejada, razão porque apresentamos um modelo com alguns poucos elementos arbitrários, arriscando prever resultados bem balizados para observações e experiências futuras.
Assim, sem genialidade, mas com paciência, montamos um gigantesco puzzle, começando com as peças disponíveis e fechando os espaços abertos com continuidade e complementaridade, quando evidentes e irrecusáveis, sempre com a esperança de que novas peças, um dia, serão descobertas e os preencherão com a desejável certeza.
Ao Universo particular, da Física, hoje sob a gerência da teoria da relatividade geral e da mecânica quântica, em conflito entre si, propomos somar o Universo da Psíquica, como se soma um pólo negativo a um pólo positivo, inseparáveis, num imã. Acreditamos, com isso, eliminar tal conflito, estabelecendo a Paz não só na Física, como em tudo o mais, inclusive entre os homens, que se matam para defender verdades pessoais.
Nossa paciência, para chegar a tais resultados, ocupou-se durante exatos cinqüenta anos, dos setenta que agora completamos, de vida. Dificuldades imensas, se apresentaram – algumas ainda teimam em resistir – uma das quais só agora vencida, surge como um prêmio ao jubileu de ouro de tais esforços, permitindo-nos externar um primeiro conjunto teórico.
3 De Cosmocronia, palavra pesquisada pelo autor (do grego kósmos + khronikón), para designar a sucessão de eventos em âmbito Universal. A História, sabemos todos, é limitada aos eventos da humanidade.
4 Como se explicará adiante, o tempo é a quarta dimensão do espaço, isto é, sua duração, de modo que a expressão espaço – tempo pode ser substituída por espaço tetradimensional, espaço real ou espaço integral.
