SENTAR, PENSAR E ESCREVER…
SOBRE O FATO E A FICÇÃO
Produção jornalística de Adinoel Motta Maia
DEPOIMENTO
Há muita gente que é jornalista porque fez um curso de comunicação numa universidade qualquer e está publicando seus textos em um jornal, uma revista ou coisa parecida. Há algo mais, no entanto, que credencia o jornalista, profissional ou amador: o compromisso com o leitor, o respeito à necessidade do leitor de ter informação precisa, correta e honesta. Com ou sem profundidade, com ou sem comentário.
Sem esse compromisso, o repórter, redator ou editor é mero empregado de um jornal, fazendo ou cumprindo pauta, para levar informação ou opinião ao público que compra a notícia e a absorve, por necessidade ou prazer, como o faz com tudo o mais.
Quando fui convidado para fazer uma coluna no Jornal da Bahia, ainda no ano da sua fundação, fui discípulo de Ariovaldo Matos, editor e escritor: depois fui foca de João Carlos Teixeira Gomes – Joca – o chefe de reportagem, indo para as ruas e as instituições, colecionando furos de reportagem. Ainda não havia escola de jornalismo na Bahia.
Logo, o Departamento Comercial do JB me requisitou para escrever e coordenar cadernos especiais para suas edições comemorativas e especiais. Ganhei uma página minha, na edição dominical: Ficção e Realidade. Com ela, fundei clubes de ciência e a Associação de Clubes de Ciência da Bahia. Ganhei uma coluna de livros e fiz uma pequena revolução. Recebia tantos livros das editoras, que o Correio recusou-se a transportá-los para minha casa (tive de comprar uma caixa postal) e acabei fundando o Banco do Livro, para emprestá-los aos leitores – hoje na Biblioteca Anísio Teixeira, do Estado. Criei um Concurso Permanente de Contos, para os ficcionistas baianos e daí surgiu o Clube da Ficção, que reunia esses autores na Academia de Letras da Bahia e chegou a lançar o Manifesto Profissionalista. Fui convidado para o conselho editorial do Selo Letras da Bahia (Fundação Cultural do Estado) e acabei levando esta instituição a montar um estande na Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha). Tudo isso garantindo informação privilegiada para os leitores do Jornal da Bahia, seguindo-se um convite do editor Jorge Calmon, do jornal A Tarde, para fazer uma página dominical nesse jornal, com o objetivo de despertar o meio cultural baiano, então meio modorrento… Tudo isso e mais alguma coisa ao mesmo tempo em que estudei na Escola Politécnica e me tornei um profissional da Engenharia Civil, projetando estradas na Bahia e em outros estados, já na UFBa como professor de Estradas, de Aeroportos, de Evolução dos Transportes e de Astronomia e Astronáutica, lançando na realidade o que publicava no jornal como ficção científica. Depois que me aposentei, montei este site, onde sou editor, escritor e jornalista, mas também cientista… criando uma nova ciência: a Psíquica.
