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IX SEMANA DA |
Há nove anos, em 2010, criamos a SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS, como vice presidente do Gabinete Português de Leitura, que compreendeu nossa proposta e a apoiou. Em verdade, a nossa BTS foi descoberta como consequência do descobrimento do Brasil, em 22 de abril de 1500. Por determinação de Pedro Álvares Cabral, ao continuar este a sua viagem para as Índias, partindo de Porto Seguro, determinou o regresso de um dos barcos, comandado por Gaspar de Lemos, para levar ao rei de Portugal a notícia do “achamento” daquelas terras a oeste da sua rota, com a instrução – conforme se sabe – de, nesse retorno, acompanhar a costa e anotar no seu livro de bordo a latitude do ponto final daquela “ilha”, que – surpreendentemente – parecia não ter fim. Evidentemente, o comandante não perdeu a viagem e foi anotando as latitudes de tudo o que ia descobrindo, inclusive uma enorme baía (a que tomaria o nome de Todos os Santos) e a foz de um grande rio (que seria denominado São Francisco), até que chegou num ponto em que a costa entrava para o oeste e ele foi obrigado a voltar diretamente para Portugal. Evidentemente, o Rei determinou a saída de três barcos numa primeira expedição exploratória, comandada por Gonçalo Coelho (nau capitânea) e mais dois navegadores: o próprio Gaspar de Lemos, que já conhecia o caminho; e o famoso Amerigo Vespucci, que já navegara pela costa norte da América do Sul, após a descoberta da América do Norte por Colombo. Assim, podemos afirmar que Gaspar de Lemos descobriu a Baía de Todos os Santos em maio de 1500, mas esta só recebeu esse nome, quando ele voltou a ela, exatamente no dia 1º de novembro de 1501 (Dia de Todos os Santos), pelo mesmo motivo que, semanas antes – em 4 de outubro – foi dado o nome de São Francisco ao rio cuja foz o impressionara na viagem de volta a Lisboa.
Desde o ano passado – já não sendo diretor do Gabinete Português de Leitura – estamos comemorando a Semana da Baía de Todos os Santos neste site. Nossa relação com a BTS começou na infância. Essa história foi contada aqui no ano passado, quando publicamos sete crônicas sobre ela, assim iniciando uma nova fase de comemoração. Neste ano de 2018, resolvemos reunir tudo o que foi feito nestes nove anos, aqui – ano a ano – de modo que este site é, a partir de agora, o quartel-general da nossa luta pela valorização da BTS (um apelido que lhe demos após uma viagem a Belo Horizonte, onde ouvimos o povo referir-se carinhosamente à cidade como BH), daqui propondo que todos os municípios banhados por águas dela ou dos rios seus afluentes também façam sua parte, festejando esta semana, a partir deste ano, de modo que o dia 5 de novembro seja o último dia da semana, por ser este o Dia Nacional da Cultura, instituido em 1970, como o do nascimento de Rui Barbosa, em 1849.

Estamos, assim, hoje, encerrando a Semana da BTS de 2018 com uma nova proposta: a de trabalhar ao longo do próximo ano, para que em 2019, entre 30 de outubro e 5 de novembro, ela seja festejada não só em Salvador como em todos os lugares onde estejam suas águas e as águas dos rios, seus afluentes. E que essas comemorações estejam associadas a processos culturais de sua gente, sejam artísticos, folclóricos, históricos, geográficos ou de algum outro modo, científicos. Assim, ao invés de termos manifestações apenas em um lugar, como ocorreu com o Gabinete Português de Leitura entre 2010 e 2016, que estas ocorram em igrejas, museus, escolas, praças e praias, onde haja alguém que a ame. Vamos espalhar esta proposta pela internet, convidando as pessoas a visitarem a seção PROJETO BTS no site www.adinoel.mottamaia.nom.br. Já seria um grande passo conversar com professores de escolas de todos os municípios de Salvador e do Recôncavo, para que trabalhem com seus alunos, motivando-os a participar desse movimento cultural. Além do que se encontra neste site, muita coisa poderá ser vista e lida em outras páginas da Internet.
por exemplo
| Façamos agora uma provocação: que cada leitor escreva um texto sobre a BTS, abordando qualquer assunto. Vou sugerir um tema, que cada um encontrará no texto abaixo, com a resposta a uma pergunta: quais são os animais encontrados em terra, nos ares ou nas águas da Baía de Todos os Santos? |
Sejamos honestos, sobretudo com nós próprios: a evolução ocorre do coletivo para o individual. Os animais menos evoluidos são os que vivem em colônias: os insetos. A comunicação entre estes é extremamente primitiva. Os animais em colônias evoluem para animais em bandos (aves) e em cardumes (peixes), que podem executar um mesmo movimento, simultâneamente, no ar ou na água. Há, no entanto, animais aéreos e aquáticos que já evoluiram e vivem em pequenos grupos, como os terrestres, tendendo a formar famílias e finalmente casais, nos quais, a evolução individual cresce tanto, que cada um tem sua própria personalidade e a impõe perante o(s) outro(s). Esta é uma verdade comprovada: quanto mais evoluído é o ser vivo, mais é feliz…. isoladamente. Isto não significa que só é feliz isoladamente. Ao contrário, pode ser muito feliz ou ainda mais feliz, associando-se a outros que completem conjuntos necessários a uma ação ou projeto. Por exemplo, um violinista pode viver isolado, executando “solos” em concertos, mas também é feliz numa orquestra em que sua participação é rigorosamente individual, executando fielmente os acordes da partitura musical destinados apenas a ele. Mas um violinista não é apenas animal. Já é bastante intelectual, cultivando o som do seu instrumento…
Nossa bela e querida Baía de Todos os Santos é muito rica em formações geológicas, como em espécies vegetais e animais, nos mais diversos níveis evolutivos. Nossa proposta inicial é conhecê-los, cada um no seu ambiente, no seu habitat, na sua colônia ou cidade, vila, aldeia ou casa isolada na beira de um rio ou no topo de uma montanha. Sendo impossível conhecer tudo e todos, pelos menos, pode-se conhecer um grupo que se comunique com os demais e dessa troca se tirar uma informação mais completa de todo o conjunto, realizando-se eventuais visitas e trocas. Naturalmente, não em apenas um mês ou um ano, mas até ao longo de toda a vida.
Temos, assim, a proposta inicial de que nós, os habitantes dessa região influenciada pela BTS tentemos conhecê-la toda, desde a baía propriamente dita – desde o Farol da Barra até Morro de São Paulo (não é apenas até a Ponta do Garcez, como querem os burocratas) – até a nascente dos menores riachos, afluentes dos maiores e finalmente dos rios que se lançam no Paraguaçu, no Subaé e nos demais alimentadores da baía, que inclui, evidentemente a também chamada “Baía de Aratú”. Se esta fosse realmente uma baía, a de Todos os Santos seria um golfo. Vê-se que já neste parágrafo somos desafiados a estudar geografia e esta é realmente uma das propostas deste projeto, não, como na escola, para fazer prova e obter uma nota qualquer, mas pela satisfação, pelo prazer de obter conhecimento, que nos separa e dintingue de outros animais, isto é, de outros seres que apenas se movimentam.
Podemos, então, já, afirmar: esta seção do nosso site tem o objetivo de provocar amor e dedicação ao estudo da Baía de Todos os Santos como ela é e como pode ser com a intervenção corajosa e saudável do homem que habita as terras por ela influenciadas diretamente. Cada um dos textos aqui inseridos terá seus links de acesso direto aos detalhes e às propostas culturais e científicas que nos enriquecerão em nossa racionalidade. Assim, poderemos, sempre que encontrarmos uma palavra dentro de um retângulo azul clicar nele e obter uma nova informação, um detalhe, uma ilustração ou uma orientação, relacionada com a palavra nele inserida. Como isso pode ser feito na próxima semana ou no próximo ano, esta parte do site irá se enriquecendo com o tempo, de modo que não custa voltar a ela de vez em quando para conferir.
Por exemplo, neste momento, já estamos reunindo pessoas e entidades culturais, na preparação de uma comemoração, dos 310 anos da primeira ascenção testemunhada oficialmente, de um balão, no mundo, fato esse que ocorreu em 5 de agosto de 1709 em Lisboa, mas que começou em Belém de Cachoeira, na Bahia, à margem do riacho Pitanga, afluente do rio Paraguaçu, que lança suas águas na Baía de Todos os Santos. Foi lá em Portugal, que o hoje brasileiro, mas então português Bartholomeu Lourenço – nascido em Santos, São Paulo, Brasil, em 1685 (o Brasil era então colônia de Portugal) – lançou oficialmente o primeiro aeróstato, inventado contudo no seminário jesuíta de Belém, para onde foi levado a estudar e onde realizou seus primeiros voos. Vamos procurá-lo em Belém de Cachoeira?
ESTE É APENAS MAIS UM EXEMPLO DO MUITO QUE PODE SER DESCOBERTO EM TERRAS DA NOSSA BAÍA DE TODOS OS SANTOS
Salvador, 5 de novembro de 2018
Adinoel Motta Maia
