SEMANA DA BTS 2017 

Neste ano, não mais realizada pelo Gabinete Português de Leitura, a Semana da BTS foi adotada por este site, com a publicação de uma crônica nossa, por dia. Assim, ao invés de exposições num salão ou palestras em um auditório, fizemos por experiência – no nosso site – a publicação de um texto por dia, na semana de 26 de outubro a 1 de novembro (Dia de Todos os Santos), como se vê adiante.

PROJETO BTS
I  –  26 de outubro de 2017                   VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Da Baixa dos Sapateiros ao bairro de Nazaré, todo o logradouro perdeu nos ano 30 do século passado, o seu status social para a zona ao Sul do Campo Grande, que, agora, sofre a concorrência da Avenida Paralela, onde os condomínios já não são nos edifícios, mas em conjuntos habitacionais de segurança máxima, com ruas policiadas e conservadas pelos seus administradores. O que virá depois? Como? Quando? Onde?

Os ricos sairão de Salvador, porque já não haverá espaço para quem gosta de isolamento e pode pagar por ele. A saída será o Recôncavo da Baia de Todos os Santos, mas não na ilha de Itaparica, para onde se quer fazer uma ponte e onde já se vê características de cidades dormitórios, ocupadas por trabalhadores de nível econômico-social-educacional inferior. Evidentemente, já é tarde para evitar esse processo, mas ainda há tempo para discipliná-lo ou racionalizá-lo. A proposta, evidentemente, não é retirar qualquer pessoa de lá, mas se a demagogia sociológica não for mais rápida, educar e sair em defesa de quem tem por esporte fazer filho.

Sim, ainda é tempo e a Baía de Todos os Santos, com toda a sua beleza, pode ser poupada do processo demagógico que manda parir e não dar escola, formando um gado humano ignorante que se move na direção da violência, do vício e da fome… isto é, da indústria da estupidez animal a serviço de políticos que só querem o poder e que transformam jardins em esgotos.

Tudo ideológica e politicamente errado, dependendo de um processo, ou melhor, de um projeto, que pode já ter um nome: PROJETO BTS. Para salvar não só as estruturas sociais e econômicas, mas sobretudo as culturais de um povo que precisa conhecer sua geografia e sua história para ser feliz e educado, capaz de cuidar de si próprio, sem subordinar-se aos vícios da preguiça, da corrupção e da imoralidade fomentadas por sociólogos engajados.

O PROJETO BTS surgiu em 2012, como consequência de um evento que concebemos e apresentamos em sessão de 9 de setembro de 2010, da Diretoria do Gabinete Português de Leitura para realizar a partir daquele ano, a Semana da Baía de Todos os Santos, envolvendo a data de sua “descoberta”, em 01 de novembro de 1501.

PROJETO BTS
II  –  27 de outubro de 2017                   VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Pode, um evento, existir apenas eletronicamente, sem a presença física de cada indivíduo em algum ambiente coletivo? O ser humano é “vivo” e nítida, estrutural e físicamente animal, porque tem anima ou alma, isto é, movimento. Todos os seres “vivos” assim o são, porque recebem energia vital do Sol. Os vegetais, através da fotossíntese. Os animais – que se movem livremente – através da respiração, absorvendo o ar e a água impregnados de energia solar. Se os vegetais crescem com os nutrientes que tiram do solo, só os animais, contudo, realizam trabalho, com força própria, obtida com a ingestão dos alimentos. O que separa os homens dos demais animais é justamente aquilo que está além do movimento: a inteligência que é processada no cérebro e depende da evolução do “espírito”, com o qual se liga ao fazer a primeira inspiração, no nascimento e o faz intelectual, evidentemente, capaz de gerir sua própria vida.

Sim, todos os animais respiram e assim absorvem essa alma que gere seus movimentos e alimenta suas mentes, por mais primitivas que sejam, como a dos insetos, que não têm cérebro, mas já dispõem de singelos elementos neurais a controlar suas ações, com alguma capacidade própria de decisão, isto é, com algum ego faminto por informação, sem a qual não há evolução. É neste ponto, que começamos a responder a questão com a qual iniciamos este texto. A força física que precisa do alimento no sistema digestivo não é necessária à atividade do ego, meramente psíquica, salvo naquilo que dá energia ao cérebro para que funcione. A atividade mental, a capacidade psíquica, é dominada, gerida, pelo ego que se liga ao cérebro com a primeira inspiração. É isto que não precisa estar em auditórios ou quaisquer outros ambientes materiais.

Dois anos depois que nasci, num sobradinho da Rua da Poeira, a Alemanha invadiu a Polônia, começando a II Guerra Mundial. Meu pai, português, que tinha comprado aquele sobrado  e “tirado” alguns carros da agência que os vendera – com o dinheiro que foi buscar com o meu avô, em Portugal, para casar – perdeu tudo, porque botou esses carros “na praça” e um dos seus motoristas, ao levar um passageiro para Feira de Santana (seis horas de viagem em estrada de terra) bateu num caminhão, gerando um prejuizo que o obrigou a recomeçar a vida, a partir do zero. Fomos morar no subúrbio de Periperi, passando, antes, alguns meses, numa casa bem menor, em Praia Grande – ali perto – rigorosamente na praia, pois bastava abrir a porta do fundo e descer uma escada de pedra para se colocar os pés na areia ou na água da Baía de Todos os Santos. Assim comecei meu namoro com ela… 

A guerra trouxe os militares americanos para uma base naval em Paripe, onde meu pai voltou a crescer, à beira do mar, ali se empregando como motorista de caminhão e terminando – em 1946 – como chefe de escritório, com medalha no peito, pelos serviços prestados à Marinha dos Estados Unidos. Meu namoro, até então, com a Baía de Todos os Santos, em praias suburbanas, continuaria ao voltarmos para Salvador, tão logo a minha avó materna retomava um sobrado que estava alugado, na Ladeira da Jaqueira, a poucos metros da praia, onde cultivei os passatempos de desenhar navios que entravam no porto, empinava arraia na janela e soltava balões que eu mesmo fazia aos 11 anos de idade e subiam ao céu, sobre o mar, indo para a ilha. Aos 18 anos, já morava no Farol da Barra, indeciso entre a paisagem da baia e a das meninas na praia oceânica, mas mesmo assim, de vez em quando, preferindo-as na piscina do Yacht Club a beijar o mar, com Itaparica ao fundo.

PROJETO BTS
III  –  28 de outubro de 2017                   VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Pode, um evento, existir apenas eletronicamente, sem a presença física de cada indivíduo em algum ambiente interno ou externo? O ser humano é nítida, estrutural e físicamente animal, porque tem anima ou alma, isto é, movimento. Só os seres animais se movem livremente, com força própria, resultante da estrutura que todos  recebem no nascimento, com a primeira inspiração do ar que conduz a energia do Sol – alma – sem a qual não há vida intelectual, além daquela que nos dá a força de trabalho, obtida com a ingestão de alimentos. O que separa os homens dos demais animais é justamente aquilo que está além do movimento: a inteligência que o faz intelectual, evidentemente, capaz de gerir sua própria vida.

Sim, todos os animais respiram e absorvem essa alma que alimenta suas mentes, por mais primitivas que sejam, como a dos insetos, que não têm cérebro, mas já dispõem de singelos elementos neurais a controlar suas ações, com alguma capacidade própria de decisão, isto é, com algum ego faminto por informação, sem a qual não há evolução. É neste ponto, que começamos a responder a questão com a qual iniciamos este texto. A força física que precisa do alimento no sistema digestivo não é necessária à atividade do ego, meramente psíquica, salvo naquilo que dá energia ao cérebro para que funcione. A atividade mental, a capacidade psíquica, é dominada, gerida, pelo ego que se liga ao cérebro com a primeira inspiração. É isto que não precisa ser transmitido em auditórios ou quaisquer outros ambientes materiais.

O Projeto BTS, que surgiu da Semana da Baía de Todos os Santos, iniciada em 2010, sempre foi realizado em ambientes físicos, com seminários e exposições no Gabinete Português de Leitura, enquanto estivemos na sua Diretoria, até este ano de 2017. A necessidade de dedicação exclusiva a uma teoria que criou a Psíquica, impedindo-nos de manter compromissos que exijiam a nossa presença física e obrigações de agenda coletiva, nos leva agora a nos afastarmos de funções como as dessa diretoria. Com isso, a continuidade dos eventos por nós criados passa a ter existência apenas eletrônica, neste site e assim, pela primeira vez, a Semana da Baía de Todos os Santos se realiza com este suporte, disponível livremente para todos que se disponham a acessá-lo, no conforto do seu lar ou do seu ambiente de trabalho. Isto confirma a tendência natural, por evolução, da paulatina substituição da presença física pela psíquica, no ser humano, privilegiando quem melhor se educa.

Continuam mantidos os compromissos relacionados com a Baía de Todos os Santos, com a única diferença de que os resultados das propostas em desenvolvimento passam a ser virtuais e essas propostas desenvolvidas em maior amplitude, sem a obrigação da presença física de seus agentes… ou de seus pacientes. Há muito o que fazer na e pela Baía de Todos os Santos, bastando manter o espírito de corpo em todos os que se identificam com a sua geografia e a sua história, o que vale dizer, com a sua existência. Assim, aproveitemos mais esta Semana para pensar e repensar a BTS e realizar o que já é mais do que um nome, pois sim, sem dúvida, uma atitude.

PROJETO BTS
IV  –  29 de outubro de 2017                   VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Não pode haver História sem Geografia, porque não há tempo sem espaço. O fato histórico, portanto, está sempre referido a um ou mais lugares. A Baía de Todos os Santos, descoberta por Gaspar de Lemos em 1500, voltando de Porto Seguro para Lisboa, logo após o “descobrimento” do Brasil, foi nomeada por Gonçalo Coelho no ano seguinte, no Dia de Todos os Santos, sendo bem maior que esta hoje considerada, entre o forte na ponta de Santo Antonio (Farol da Barra) e a ponta do Garcez (em frente ao extremo sul da ilha de Itaparica), sendo essa barra hoje oficialmente mapeada pela Marinha do Brasil.

Em verdade, seus descobridores logo perceberam que o recuo da linha da costa, navegando-se do sul para o norte, já determinava o seu início na margem sul do atual Rio Una, atrás do chamado Morro de São Paulo, onde os colonizadores logo construiram uma fortaleza – como o faziam sempre onde estivessem –  como também o fizeram na ponta de Santo Antônio, com outra fortaleza no seu outro extremo, em Salvador, para proteger a entrada da baia, sendo, assim, a barra da BTS a linha reta entre essas fortalezas, nessas pontas. A comprovação científica disso está no fato de que a capitania hereditária da Baía de Todos os Santos faz o seu limite sul exatamente no Rio Una, onde começa a Capitania dos Ilhéus. Que interesses políticos, econômicos ou financeiros alteraram historicamente a geografia, ainda não foram determinados, não sendo conhecidos, mas já é hora de rever esse erro, científicamente. Ou se faz isso, ou se passa atestado de ignorância…

A repercussão social, política e econômica dessa correção científica não será pequena, a começar pela quantidade de municípios que passarão a fazer parte do Recôncavo Baiano, anexando pelo menos mais três rios importantes desaguando na baia, ao sul de Itaparica, inclusive o próprio Una. Se alguém achar insuficiente a prova geográfica, pode-se apelar para a geologia e ir buscar a causa da formação da baía, com o afundamento de terras que foram inundadas pelo mar, quando – antes – se podia ir a pé da atual Praça Municipal, em Salvador, até a atual ilha de Itaparica. Já fizemos essa denúncia outras vezes, em alguns lugares, mas a falta de receptividade para ela já incomoda e nos traz a desconfiança de que isso pode não ser apenas ignorância. Afinal, o noticiário da televisão nos está a mostrar o verdadeiro caráter dos brasileiros… que mexem com interesses políticos e…!

O PROJETO BTS não é político nem ideológico. É puramente científico. Nem mesmo pretende ser cultural. O que se chama Cultura, é, como se diz, uma “Maria vai com as Outras”, mostrando a cara e a roupa que interessa, conforme o momento e a companhia, inclusive sem cara e sem roupa, apresentando a arte como um “vale tudo” a aceitar as individualidades que não sabem se impor às coletividades, se é que isso pode ser entendido, compreendido, na sua contradição.

Assim, pelo menos uma vez por ano, sob a égide da descoberta da Baía de Todos os Santos, podemos trazer as questões dessa área do território brasileiro, buscando alguma luz para iluminá-las.

PROJETO BTS
V  –  30 de outubro de 2017                   VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Entre as abordagens econômicas que se costuma fazer, relacionadas com a BTS, destaca-se a que ventila setores do turismo, dito receptivo. A recente tragédia que a colocou em toda a mídia nacional, com respingos na internacional, com o naufrágio de uma lancha da travessia Salvador–Mar Grande, apenas arranhou um problema sério e visível no cotidiano: a extrema confiança dos baianos nos santos de todas as religiões, entregando a eles o destino de quantos utilizam os mais diversos meios de transporte, turísticos ou não. Quem conhece o turismo no Mar Mediterrâneo, desde o Algarve português, passando pela Costa Brava espanhola e a Côte d’Azur francesa, chegando finalmente à Riviera italiana, sabe que geograficamente, a Baía de Todos os Santos é muito parecida. Toda a semelhança, no entanto, fica apenas na geografia.

Nós não aprendemos ainda, que turismo se faz com gente. Gente que paga serviços a gente que os presta. Só isso. Gente educada. Vamos repetir: gente educada, que completou pelo menos o curso primário. O naufrágio da lancha que matou moradores de Mar Grande, que dormiam lá e trabalhavam em Salvador, se não foi causado pela ignorância dos passageiros, pelo menos foi agravado por isso. O que virou o barco foi, antes de tudo, o movimento brusco das pessoas a fugir das ondas de um lado, correndo todas juntas, para o outro bordo. Se as pessoas morreram porque ficaram sob a embarcação ou não sabiam nadar, ou ainda porque não tiveram acesso aos salva-vidas, é consequência daquele movimento coletivo, porque, naturalmente, não queriam se molhar com a água das ondas, naquela manhã de desespero                                                                             (parece que não havia cortinas de lona ou elas não funcionaram).

Há décadas, costumo fazer o trecho e já vi ondas de dois metros ao meu lado, como uma parede de água, nessa travessia. A lancha sobe e desce, surfando e incomodando, mas nunca senti perigo e nunca me levantei do banco para trocar de lugar. O desespero em massa, mais conhecido como pânico, é o maior assassino do planeta. Nunca mata uma só pessoa. Mata também em massa. O que causa o pânico, salvo as famosas exceções, é a ignorância também em massa. Vamos deixar de rodeios e aceitar que a população baiana, em números consideráveis, é ignorante, substituindo o conhecimento pela fé e a esperança. O ignorante tem medo da própria sombra e pode matar o vizinho, fugindo de um perigo que só existe na sua cabeça.

Não vamos dizer que a lancha naufragou só por isso, mas quando há outros problemas, a ignorância os agrava. Os nossos políticos que só querem votos e o que ganham com estes, têm arrepios quando se fala em educação. Há candidatos a vereador que não sabem sequer arrumar um discurso na cabeça e raros são os que têm um conteúdo mais complexo que o mundinho das festas, dos shows contratados para os comícios e do “rega-bofe” que promovem com o dinheiro da corrupção ou sem corrupção. Infelizmente, isto tudo é assunto da Baía de Todos os Santos, que está sendo invadida por ex-moradores de Salvador em busca de cidades-dormitório à beira da praia. Também este é assunto para falar no aniversário da BTS.

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VI  –  31 de outubro de 2017                   VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Não há atividade humana que prescinda do transporte. Das vias e terminais, cuidam os engenheiros civís. Dos veículos, também engenheiros, os mecânicos e eletrônicos, assim como os químicos, mas sobretudo os economistas e os administradores de empresas públicas e privadas. Um simples olhar, a qualquer hora, para o mar e as margens da Baía de Todos os Santos, vai bater em alguns barcos e automóveis, de vários portes e funções. Já não há, nela, um aeródromo. Havia em Itaparica, ainda estão lá a pista de pouso e o hangar, de quando o Aeroclube da Bahia foi transferido da praia de Armação em Salvador, para a beira da rodovia  BA-01. Só isso. Não há atividade aérea, salvo um pouso de emergência, se alguém se lembrar dessa pista. Pouca gente sabe ou quem sabia já se esqueceu, que o primeiro objeto feito pelo homem, que voou, no Ocidente da Terra, foi inventado por um jovem, ainda quase uma criança, no seminário jesuita de Belém, à margem do riacho Pitanga, afluente do rio Paraguaçu, que desagua na Baía de Todos os Santos, no início do século XVIII. O nome desse jovem? Bartholomeu Lourenço, um dos onze filhos do capitão da guarda da cidade de Santos, em São Paulo, um português, naturalmente.

Levou o seu pequeno aeróstato para Lisboa e fez uma demonstração dentro do salão do palácio, para os principais membros da família real e um cardeal, representante do Papa, que, impressionado, fez um depoimento por escrito ainda hoje visto no Museu do Vaticano. Anos mais tarde, os irmãos Montgolfier, filhos de um fabricante de papel, conseguiram matéria prima que não se rompia e fizeram um maior, capaz de sustentar o primeiro homem da história a voar.

Alguém ficou com vontade de ir a Belém de Cachoeira, para visitar o museu que conta a vida desse jovem e mostra os seus trabalhos de engenharia não apenas aérea, mas também hidráulica? Pois não vá, porque nada existe na igreja, apesar do apoio que o pároco sempre deu a quem por lá aparece com a intenção de fazer alguma coisa. Somos testemunha e um dos envolvidos nas tentativas de se criar ali um memorial, juntamente com um colega, Prof. Artur Brandão, da Escola Politécnica, que fez um levantamento topográfico da área em que Bartholomeu criou um modo de elevação da água do riacho para o topo do seminário. Estamos sempre prometendo retomar os trabalhos, mas só pode ser nas horas vagas. Dos bilhões de reais que entram nos bolsos dos políticos, não se tira sequer um real para fazer cópias xerox a serem distribuidas nas escolas, narrando esse feito.

Este é só um exemplo, muito próximo de nós. A memória da BTS tem muita coisa desse tipo, que não gera dinheiro para o bolso de alguém. Este site traz o Projeto BTS com esta proposta. No Gabinete Português de Leitura, tínhamos o apoio da Diretoria e foram quinze anos de exposições, seminários e outros eventos, mas não se colheu resultados que mudassem alguma coisa. Nossa proposta, agora, é jogar tudo na Internet, com a esperança de que, assim como há as redes sociais, também hajam as redes culturais e científicas…

PROJETO BTS
VII  –  1 de novembro de 2017                   VIII SEMANA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Nos idos de 2011, escrevendo sobre os 75 anos de história do Yacht Clube da Bahia, recebemos uma mensagem bem educada da professora que fazia a revisão dos textos daquele volume, alertando-nos para a necessidade de colocar hífens antes e depois do artigo “os” na palavra Baía de Todos os Santos (assim: Todos-os-Santos). Era seu trabalho profissional e disciplinado, obedecendo os adoradores de regras, sem as quais pode-se ser atropelado ao atravessar ruas, mas não deveriam existir para quem pensa por conta própria e por este ou aquele motivo, conscientemente, faz suas próprias regras. Mandei um recado que ficasse tranquila, pois livraria sua responsabilidade, assumindo com nota de pé de página (pé-de-página?), que o erro era meu, consciente. Mera indisciplina. Bendita indisciplina que não prejudica ninguém e principalmente não torna feia uma expressão tão bonita quanto o nome completo da nossa querida baía. Todos precisam entender que nomes próprios não podem seguir regras, é questão histórica, vale a ortografia da época do registro, doa em quem doer. Neste aniversário da nossa BTS, prego a insubordinação: cada um que escreva o seu nome como bem entender. O importante é que entenda o que faz e não faça apenas o que se manda, sem consciência. É uma necessidade obedecer as regras, inclusive as idiotas, porque aí já há o risco de vida a ser considerado. Quando se trata de puro manejo intelectual, no entanto, que prevaleça a vontade, ainda que puramente estética, de cada um. O máximo que pode ser aplicado, como pena – em tais casos – é a acusação de peja.

Nesta VIII Semana da Baia de Todos os Santos, estamos comemorando os 516 anos do momento em que ela recebeu, de Gonçalo Coelho, o seu nome atual, em lingua portuguesa. Evidentemente, os indios já se referiam a ela com outra designação, não necessariamente um nome próprio, talvez apenas o do seu significado, uma referência (sonoramente, quirimurê), separando suas águas, daquelas outras, sem fim, além da terra vista, olhadas como nós olhamos para o céu azul sem nuvens. Isso aconteceu em 1º de novembro de 1501, que se comemora como o dia da descoberta da BTS. Em verdade, o primeiro português que a viu estava no barco comandado por Gaspar de Lemos, no início de maio de 1500, provavelmente o marinheiro que trabalhava na sua proa, mas certamente cabendo ao comandante registrar no diário de bordo mais aquele lugar a ser marcado com a sua latitude, descrevendo-o certamente, como a maior baía já vista por ele, seguindo instruções do Pedro Álvares Cabral, ao determinar sua volta a Lisboa, mandando-o anotar a latitude de tudo o que descobrisse, até o final da “ilha” onde pensava estar, no meio do oceano, com dia e hora, como de hábito, conforme os ensinamentos do físico João.

Quem descobriu a nossa BTS, portanto, não foi o Gonçalo Coelho em 1501, mas o Gaspar de Lemos, em maio de 1500, assim como todos os rios por cuja foz passou, entre os quais, o São Francisco, anotando a latitude de cada lugar, medida com o astrolábio, até a ponta no Rio Grande do Norte, onde iniciou a travessia do oceano. Seria muito burro, o Rei D. Manuel I, se não mandasse o Gaspar de volta, com o Amerigo Vespucci e o Gonçalo Coelho, na expedição por este comandada.