Conversar com sede de conhecimento leva sempre a perguntar. Nem sempre a resposta satisfaz, mas costuma revelar o degrau onde cada um se encontra, na escada da existência. Um bom sinal é o que se manifesta, quando se pensa, antes de falar. Por exemplo, basta pensar para saber que há leis feitas pela Natureza e leis feitas pelo Homem. As da Natureza, por isso ditas naturais ou cósmicas, são as que se revelam a todos que observam os fenômenos em sua volta, como o do fogo que queima e ilumina ou o do livro que cai da prateleira. São leis imutáveis e irrevogáveis. Quem não as obedece, paga com alguma perda. As dos Homens, por outro lado, são as que se conhece por ler ou ouvir suas palavras, suas sentenças, estabelecidas pela força de quem manda ou de alguma instituição do Estado, como a lei do divórcio ou a do inquilinato, entre muitas outras, podendo estas, no entanto, serem alteradas ou revogadas, por decisão de uma pessoa ou de um plenário constituído para estudá-las e aprová-las.
Se pensarmos mais um pouco, veremos, sem necessidade de ler ou ouvir, que as leis naturais ou cósmicas podem ser físicas, incidindo sobre a matéria; ou psíquicas, incidindo sobre a mente. As da matéria atuam sobre os corpos e contrariá-las significa sofrer, submetendo o corpo a ferimento, doença ou morte. As da mente atuam sobre a consciência humana e o ego imortal, eterno, que deve evoluir. Contrariá-las é prejuízo para o equilíbrio e a saúde mental do homem na vida material ou na sua evolução eterna. Basta observar em volta, para saber que tudo isso é verdade.
Sabemos que uma resposta é verdadeira, sempre que esta é a única que explica um fenômeno observado. Testa-se, assim, no laboratório da vida, toda afirmação que possa ser feita. Se essa afirmação mostra-se verdadeira perante um fenômeno observado e se sempre se repete, quando se repete o fenômeno ou a experiência, pode-se dizer que ela é uma lei. Assim, faz-se Ciência e o que se demonstra por esse meio, diz-se “científico”. A mente treinada de forma acadêmica consegue formular enunciado para cada lei assim descoberta, mas tal jamais é necessário, quando se pretende conhecê-la apenas para uso próprio.
Não há perdão, para quem contraria uma lei cósmica. Quem erra, paga, sempre, pelo erro cometido. Se esse erro atinge e prejudica outra pessoa, esta pode perdoar, para livrar-se da cobrança ou da necessidade de aplicar a pena, mas quem errou não se livra desse pagamento, porque haverá sempre a consciência do prejuízo ou da perda imposta a alguém ou algum processo e enquanto isto não é reparado, quem errou permanece em dívida, que a pagará na mesma “vida” ou na seguinte, fora do corpo ou em outro corpo. A religião que manda perdoar, livra o credor, mas não o devedor. Este só se livra da dívida, ao pagar pelo próprio erro.
Quem faz errado, tem de corrigir o seu erro, para continuar o seu caminho de evolução. Isto porque não se pode dar um passo, depois de um tropeço, que leva à queda e nada mais. Para levantar-se, há que fazer um esforço maior que o do passo que seria dado corretamente, sem tropeço e sem queda. Esta é uma lei, para a qual ainda não há enunciado acadêmico, mas que está disponível para uso próprio por todo bom observador. Quanto mais cedo, corrige-se um erro cometido ou paga-se uma dívida, menos se sofre e mais facilmente se caminha para a frente e para o alto, na escada da existência.
É da nossa necessidade e interesse, a cada dia, vasculhar o panorama à nossa volta, para verificar se, onde e quando erramos, nesta vida ou numa outra, anterior. Nossa saúde física e mental depende da nossa disposição em corrigir nossos erros e pagar nossas dívidas. Infeliz de quem é perdoado e pensa estar livre de sua obrigação. O perdão é uma fuga para quem perdoa, assim se livrando do trabalho e do ônus da cobrança, para prosseguir em sua senda, sem que nada o atrase. O tolo que pensa levar vantagem com o perdão, não corrigindo seu erro ou não pagando sua dívida, ficará no chão, sem poder levantar-se, após o tropeço. Sua consciência o impede de prosseguir e acabará tropeçando outras vezes, até que não mais poderá caminhar. Ninguém escapa de si mesmo. Este é o mecanismo com o qual a Natureza controla tudo e todos, sem dedicar-se particularmente a qualquer pessoa, pois cada um se pune pela própria negligência, pela própria incompetência, pela própria ignorância. Assim se mantém o equilíbrio no Universo.

