
Feliz é o povo que tem sua Imprensa livre, condição básica indispensável para alguma democracia. Graças a ela, o Brasil vive consciente, agora, das suas virtudes e pecados, caminhando com plena visão do seu presente e do seu futuro próximo, zelando por ele, com bastante responsabilidade.
A tempestade política que se abate sobre o País é o mais recente fruto dessa imprensa atenta e ativa, que é tão necessária para uma nação, quanto o ar o é, para o ser humano. Quem acha que isto é ruim, está condicionado pela divulgação universal que só mostra o ângulo mau das tempestades, pelo qual se vê destruição e morte, ao fim do processo natural que tende a equilibrar todas as ações, em cada lugar – por menor que seja – do Universo.
Ao contrário, as tempestades são sempre boas, no plano da matéria em evolução, dentro da organização à qual se costuma atribuir vontade divina e que, sem dúvida, se implanta por necessidade cósmica, sem maior atenção aos desejos e necessidades individuais, sejam estes do homem ou da mais primitiva bactéria.
Assim, o que se vê, na base dessa organização, é um conjunto de leis naturais rígidas e irrevogáveis, que nós, humanos, descobrimos e chamamos de Leis da Física, além daquelas, cujas causas ainda não descobrimos e consideramos como Leis de Deus.
O que se tem considerado como Engenharia, nada mais é do que o estudo dessas leis – as da Física e as de Deus – na busca de sua compreensão, para aplicação racional, construtiva e exploratória, em benefício da humanidade, de cada uma de suas nações e comunidades e evidentemente, de cada indivíduo com o seu ideal ou projeto de vida.
Mister se faz chamar a atenção para o hábito de se reservar ao Engenheiro, as atribuições aprovadas por uma instituição, que no Brasil se conhece como Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Houve época em que se costumava eleger ou escolher engenheiros para funções administrativas de maior amplitude ou importância, justamente por causa da visão universal dita politécnica, do profissional assim formado.
Foi da Politécnica, que se desmembraram os cursos de Arquitetura (alguns saíram da Escola de Belas Artes), Economia e Administração, desmembrando-se, também, os cursos de Engenharia Elétrica, Mecânica, Química e Sanitária, ficando, assim, engenheiros ditos civis, por lei, sem atribuições diversas, reduzidos às tarefas de projetar, construir e fiscalizar algumas obras prediais, as de terra e as feitas em água.
Não perderam, contudo, sua ampla visão de leis fundamentais, físicas ou divinas. Por isso, quando ocorrem fenômenos de agitação ingente, provocada por ações que entram em conflito com essas leis, costuma, o engenheiro, ver, antes de todos, as causas e conseqüentemente, o modo de enfrentar os problemas gerados por tais ações, sem acusar a Natureza ou Deus.
As tempestades são necessárias para o equilíbrio físico e psíquico do Universo. Não há como evitá-las ou desviá-las, depois que se estabelecem as condições de desequilíbrio. Elas só destroem o que está mal situado, planejado, projetado ou construído. Isso vale para uma casa, uma estrada, uma ponte, uma cidade inteira e também para o que o homem faz contra outros homens, seja fisicamente, empresarialmente, politicamente ou até mesmo, religiosamente.
Ao fim de uma tempestade, temos sempre um ar melhor, mais limpo e respirável, assim como sarjetas a funcionar bem, se não estavam entupidas pelo mal uso ou o abandono. Sua ação destruidora – quando encontra o erro humano – é sempre renovadora, indispensável para a evolução de seres e de processos.
Em qualquer momento de tempestade política, nacional, é inteligente observar, analisar e promover mudanças, sobretudo de comportamento individual e coletivo no resgate dos valores morais, conservadores, obtidos pela descoberta dos efeitos de tais leis, em outras tempestades.
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Adinoel Motta Maia é engenheiro civil e escritor
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