
Feliz é o povo que tem sua imprensa livre, condição básica indispensável para alguma democracia. Graças a ela, complementada pelas redes sociais, o Brasil vive consciente, agora, das suas virtudes e pecados, caminhando com plena visão do seu presente e do seu futuro próximo, zelando por ele, com bastante responsabilidade.
A tempestade política que se abate sobre o País é o mais recente fruto dessa imprensa atenta e ativa, que é tão necessária para uma nação, quanto o ar o é, para o ser humano. Em 1948, tínhamos três jornais diários na Bahia (A Tarde, Diário de Notícias e Estado da Bahia) além das emissoras de rádio. Nossa política era provinciana, com alguma influência do quadro nacional, dominado pelos partidos UDN, PSD e PTB, além do que o maior interesse era voltado para o futebol.
Discutia-se nas esquinas das ruas, nos escritórios e nas escolas. Os jornais costumavam sujar a roupa branca, de brim, quando sobraçados. Era pior quando chovia. As tempestades são sempre boas, no plano da matéria em evolução, conforme a vontade divina, ajudando a vender jornal, mas atrapalham a leitura deste. Sim, também se lia nas ruas…
Assim, o que se vê, na base dessa organização, é um conjunto de leis naturais rígidas e irrevogáveis, que nós, humanos, descobrimos e chamamos de Leis da Física, além daquelas, cujas causas ainda não descobrimos e consideramos como Leis de Deus.
O que se tem considerado, expontaneamente, é o interesse individual das pessoas ligadas apenas na sua própria existência, com seus ódios e desejos, mas sem dúvida frutos de um processo evolutivo que é coletivo, global e cósmico. Há 70 anos, na Bahia, tínhamos uma imprensa – jornais diários – centrada no vespertino A Tarde, que cada cidadão levava para casa, junto com o pão “vara”, ambos presos pelo braço sob as axilas, ao entrar em casa, no início da noite.
Noite que era dedicada à leitura do jornal, pelos homens, enquanto as mulheres esforçavam-se, agarradas a um “rádio” sobre um móvel, tentando ouvir novelas das emissoras cariocas, entre ondas de silêncio e ruídos (“descargas”) que ocorriam nos momentos mais dramáticos.
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