AERÓDROMO
TODA CIDADE PRECISA DE UM
Aproxima-se o dia em que os homens sairão voando pela janela, se não quiserem descer o elevador e chegar à rua com os próprios pés. Hoje, já podem subir o elevador e tomar um helicóptero no terraço do edifício, seja de escritórios, seja de apartamentos. Nas grandes cidades, principalmente. O fato é que nenhum prefeito, de qualquer município, em qualquer lugar do mundo, hoje, deve ignorar que voar é tão importante para o homem, quanto tornar-se diretor na sua empresa. Evidentemente, nem todos os homens precisam dirigir empresas. Nem todos os homens, igualmente, precisam voar. Pobre da cidade, contudo, que não tenha homens dirigindo empresas e… voando.
Assim, um prefeito preocupado com o desenvolvimento de seu município tem de estar atento às possibilidades de vôo sobre o seu território. Mais ainda, às possibilidades de pouso, neste. Em princípio, podemos dizer que toda sede de município precisa de um aeródromo, por menor que seja este, ainda que apenas para helicópteros. Certamente, uma região onde a economia é sustentada exclusivamente por empreendimentos agrícolas precisa menos de aeronaves para ser desenvolvida (só para lançar agrotóxicos), mas ainda assim, há momentos em que deseja receber uma autoridade do governo, um empresário em busca de novos negócios, um grupo de turistas interessados em algo que ali exista ou outra pessoa qualquer, que só viaja pelo ar. Por falta de aeródromo em um lugar, pode-se optar por outro lugar, quer para viver, quer para colocar seu capital.
O procedimento habitual, de um prefeito assim informado, atento e zeloso, é pedir à autoridade estadual ou ao governo federal, recursos e interesse para fazer um “aeroporto” na sede do seu município. Pressiona como pode, pessoalmente e com a intermediação de outros políticos da região, que ajuda a eleger. Usa a imprensa, a mídia em geral. Se é religioso, também pede a intervenção divina ou a pressão política dos seus fiéis. Raramente pensa em uma solução doméstica, ao menos para começar, para dar um primeiro passo. Ensinando a disciplina Aeroportos para alunos do curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, ouvi, muitas vezes, os jovens perguntarem como atuar nessa área profissional. E sempre respondi, mostrando as diversas possibilidades, mas dando ênfase à necessidade inicial de uma lei em cada município, reservando área para o futuro aeroporto da cidade-sede, entre outras.
Muitas cidades não têm aeroporto ou o tem em localização imprópria, porque não tomaram, em tempo hábil, o cuidado de reservar a melhor área para implantá-lo. Se não há recursos, hoje, para construí-lo ou mesmo para desapropriar o terreno, pode-se, por lei municipal, impedir que se construa ou se faça empreendimentos tais como loteamentos, em lugares que um dia teriam de ser desapropriados, tornando muito caras ou inviáveis as obras de implantação do aeródromo, sem essa providência acautelatória. Para isso, no entanto, é necessário contratar um profissional capacitado a escolher o sítio, um engenheiro civil que tenha a disciplina de Aeroportos em seu currículo.
Qualquer município tem dinheiro para fazer uma consulta prévia a esse profissional. Paga-se as horas ou os dias que ele precisar para fazer um reconhecimento físico da região e determinar uma ou mais áreas possíveis, nas quais se fará posteriormente, estudos meteorológicos e topográficos, preliminares, com o único objetivo de determinar posição e dimensões de uma pista de pouso. Dessa forma, com pouco dinheiro e bastante precisão, pode-se definir uma área suficientemente grande para garantir as necessárias ampliações de um pequeno aeródromo a ser construído, numa primeira etapa. Uma lei de uso do solo, apresentada à Câmara Municipal, será o primeiro passo para preservar essa área, permitindo nela, apenas, a lavoura e outras atividades que não impliquem em instalações permanentes.
Um segundo passo será, sempre, o projeto do aeródromo. Primeiro, o projeto geométrico, depois os demais projetos de engenharia. Com o projeto geométrico, já se pode divulgar a futura obra e submetê-la ao Ministério da Aeronáutica, pedindo recursos orçamentários, com sua inclusão no Plano Aeroviário, que costuma ser estadual. O Estado da Bahia tinha um plano aeroviário aprovado pelo Ministério da Aeronáutica, para aplicação até o ano 2000, mas o governo estadual já construíra todos os aeródromos previstos nele, antes daquele ano. Sempre precisa de um novo plano, no qual se incluam novos aeródromos. Quando o governo estadual não dispõe de um plano aeroviário para o seu estado, o prefeito pode ir diretamente ao Ministério da Aeronáutica. Para isso, no entanto, deve estar bem documentado. Este é um recado que precisa ser dado.
