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Prêmio Cabral

Há duas etapas, no Prêmio Cabral,
mas uma única homenagem
ao desbravador Pedro Álvares Cabral
e aos que adotam sua postura
de vencer dificuldades
para conquistar novos horizontes.

A primeira etapa, com o apoio da Câmara Baiana do Livro e do Gabinete Português de Leitura de Salvador cumpriu missão de marcar a coragem e o denodo dos mais importantes editores de livros mais vendidos no Brasil.

A segunda etapa, no Gabinete Português de Leitura, volta-se para o reconhecimento dessa coragem e desse denodo em homens nascidos na Bahia ou por ela adotados, cuja proposta e trabalho saem dos seus limites geográficos no caminho inverso , em direção ao mundo.

Primeira Etapa
A IdEia e a Necessidade

Nossa experiência como leitor amador ou profissional, nosso relacionamento com alguns dos principais autores e editores do País e nossa função de análise e divulgação jornalísticas (Jornal da BahiaA Tarde Tribuna da Bahia) dos livros de literatura artística, filosófica e científica nos anos 70, 80 e 90 do século XX, contribuíram para uma posição crítica sobre o produto LIVRO – industrial ou artesanal – no mercado de leitura, com seus segmentos (nichos) específicos.

Nossa ação jornalística no sentido de contribuir para viabilizar a indústria do livro como sustentadora do hábito de ler, como condutora de uma natural procura de textos adequados ao nível intelectual (de consciência) de cada leitor, que vai se tornando mais exigente, paulatinamente, na medida em que ultrapassa as leituras mais simples, desaguou numa luta em defesa do direito de cada leitor em optar pelo texto que se ajusta ao seu interesse temático, ao seu nível cultural e ao seu suporte cognitivo, contra os profissionais a impor linguagens e estruturas literárias próprias de sua erudição, mas em total distonia e desarmonia com a proposta de leitura dos amadores, que leem apenas por lazer e necessidade ontológica.

A ideia do Prêmio Cabral surgiu dessa ação, em 22 de abril de 1999, sendo colocada neste nosso site na Internet, no sentido de reconhecer o mérito do editor que, mesmo quando o fazendo apenas por interesse empresarial, consulta ao mercado de leitura e publica obras com maior possibilidade de atender as preferências deste e estar entre as mais vendidas. Esse “prêmio” deveria, por isso, ser um atestado público de reconhecimento dessa postura editorial, sem prejuízo de iniciativas pontuais no sentido de publicar obras eruditas ou artísticas do interesse cultural de pequenos nichos intelectuais.

A um ano do Quinto Centenário do Descobrimento do Brasil, pensei em dar o nome de Pedro Álvares Cabral a um prêmio para o livro estrangeiro ou nacional publicado em português e mais vendido neste país, a cada ano. Inicialmente, fiz uma carta para o presidente Raul Wasserman, da Câmara Brasileira do Livro, oferecendo-lhe a ideia, mas não tive resposta. Além do nome do navegador português, a proposta considerava – por informações obtidas diretamente das editoras brasileiras – as quantidades de exemplares efetivamente vendidos aos livreiros, dos livros originalmente escritos por brasileiros ou traduzidos por editora nacional. O nome do prêmio homenagearia o navegador português Pedro Álvares Cabral, porque, coincidentemente, CABRAL também significa Câmara Brasileira do Livro e sua primeira entrega seria na data dos 500 anos do Descobrimento do Brasil

Sem resposta da CBL, levei-a para a Câmara Bahiana do Livro e para o Gabinete Português de Leitura. O prêmio seria uma placa de prata com a efígie de Pedro Álvares Cabral, em homenagem aos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. A proposta original era a de entregá-la ao editor do livro mais vendido de 1999, na Feira Internacional do Livro da Bahia, em agosto de 2000. Para ter um livro bestseller em seu catálogo, o editor brasileiro viajava meio mundo e precisava de ousadia e coragem para comprar o direito de tradução e publicação no Brasil. A ideia foi inicialmente levada por nós ao Gabinete Português de Leitura e à Câmara Bahiana do Livro, cujos presidentes – Artur Rangel e Pinras Abenhaim, respectivamente – a apoiaram, sendo a  solenidade do seu lançamento realizada em 24 de maio de 2000, dentro das comemorações do Descobrimento do Brasil.

A Câmara Bahiana do Livro lutava para estruturar-se administrativamente e assim incapacitada de realizar diretamente junto às editoras a apuração dos livros mais vendidos no ano – como queria –  acabou desistindo de realizar o evento em 2001 e em 2002, devolvendo a ideia ao seu autor.

Lendo, ainda adolescente, as novelas policiais de Conan Doyle, anotamos num diálogo entre Sherlock Holmes e o Dr. Watson, a seguinte frase: “A paciência não é o gênio, mas muitas vezes é o seu sinal e pode sempre substituí-lo”. Desde a adolescência, temos substituído nossas deficiências pela paciência e assim, não desistimos. Tínhamos vinte dias para organizar e realizar um evento.

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Cinco Anos de Experiência

Não se realizando em 22 de abril de 2001, se a entrega do “Cabral” também não fosse feita no ano seguinte, não haveria mais motivação para prosseguir com a ideia. Era preciso cumprir, portanto, a data de 22 de abril de 2002, com apenas vinte dias pela frente. Antes de tudo, tivemos a colaboração da artista plástica Iza Guimarães, que aceitou o desafio de criar, nesse prazo, a estatueta (foto 2) para ser entregue à Editora Sextante, que, por informação da revistaVeja, em 26 de dezemem 26 de dezembro de 2001, publicou o livro mais vendido (470 mil exemplares) no Brasil naquele ano: Um Dia Daqueles! – do australiano Bradley Trevor Greive. O segundo passo foi obter gratuitamente o Salão Nobre do Gabinete Português de Leitura para realizar a solenidade de entrega. Imediatamente, o presidente Artur Rangel ofereceu o salão e um coquetel por conta daquela instituição. Finalmente, através de pessoas conhecidas, chegamos ao Diretor Élio Regis, da Suzano Bahia-Sul Celulose, que concordou em pagar o custo da estatueta. Tudo foi, então, preparado para a bro de 2001, publicou o livro mais vendido (470 mil exemplares) no Brasil naquele ano: Um Dia Daqueles! – do australiano Bradley Trevor Greive. O segundo passo foi obter gratuitamente o Salão Nobre do Gabinete Português de Leitura para realizar a solenidade de entrega. Imediatamente, o presidente Artur Rangel ofereceu o salão e um coquetel por conta daquela instituição. Finalmente, através de pessoas conhecidas, chegamos ao Diretor Élio Regis, da Suzano Bahia-Sul Celulose, que concordou em pagar o custo da estatueta. Tudo foi, então, preparado para a solenidade de entrega do Prêmio Cabral 2001 no Gabinete Português de Leitura, da Bahia, no dia 22 de Abril de 2002, às 19 horas, com a presença apenas de convidados.
No ano seguinte, a estatueta foi entregue à Editora Record, pela publicação de Quem Mexeu no Meu Queijo?, de Spencer Johnson, o livro mais vendido em 2002 (320 mil exemplares), em todo o Brasil, com base em apuração ainda feita pela Veja, também com o decisivo apoio da Suzano Bahia-Sul Celulose, sendo a solenidade de entrega realizada no Pestana Bahia Hotel, que apoiou o evento, oferecendo um jantar para quarenta pessoas. O evento foi assim registrado:

O Prêmio Cabral 2002 foi entregue na noite de 22 de Abril de 2003, em jantar solene (foto 3), no salão Gregório de Mattos (Pestana Bahia Hotel), oferecido para 40 convidados e 21 aderentes do mundo cultural e da comunidade portuguesa, na Bahia, à Editora Record, representada pela Sra. Gloria Machado, esposa do fundador Alfredo Machado (já falecido) dessa empresa. Após coquetel e jantar servido em bufê com cardápio da gastronomia portuguesa, a solenidade foi aberta pelo coordenador Adinoel Motta Maia, tendo este chamado o Sr. Pinras Ely Abenhaim (Presidente da Câmara Bahiana do Livro), que, em breve oração, destacou características do livro mais vendido e o papel da Editora Record no cenário livresco brasileiro. Em seguida, a escritora Miriam Fraga apresentou a Sra. Glória Machado, estendendo a homenagem ao fundador Alfredo Machado, da Editora Record e convidando o Sr. Elio Regis, diretor da Bahia-Sul Celulose, para fazer a entrega do Cabral (foto 4). Estiveram presentes, além da Sra. Gloria Machado, da escritora Zélia Gatai, da artista plástica Iza Guimarães, do Sr. Paulo Dias (Pestana Bahia Hotel) e do Coordenador do Prêmio Cabral (Adinoel Motta Maia), os presidentes ou representantes da Câmara Bahiana do Livro (Pinras Ely Abenhaim), do Gabinete Português de Leitura (João Manuel Rodrigues), da Suzano Bahia-Sul Celulose (Elio Regis), da Fundação Casa de Jorge Amado (Paloma J. Amado), da Fundação Gregório de Matos (Francisco Senna), da Academia de Letras da Bahia (Cláudio Veiga), do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (Consuelo Pondé de Sena), da Editora da Universidade Federal da Bahia (Flávia Goulart M. Garcia Rosa), da Diretoria de Literatura e Editoração da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Maria de Lourdes Silva), do Conselho da Comunidade Portuguesa (Elder Gutierrez), do Hospital Português (Agnelo Martins Gomes), da Câmara de Comércio Bahia-Portugal (Manuel Augusto Duarte Carrera), assim como empresários, jornalistas e membros da comunidade portuguesa, diversos, que, ao fim, cumprimentaram a muito festejada representante da Editora Record (foto 5).

Em 2004, entregamos o Prêmio Cabral 2003 à Editora Rocco, pela publicação do “mais vendido” Harry Potter e a Ordem da Fênix, de J. K. Rowling, ainda com o apoio do Pestana Bahia Hotel e da Suzano Bahia-Sul Celulose, que forneceu os recursos para a entrega, pela primeira vez, de duas estatuetas do Cabral, a segunda delas oferecida ao editor do livro mais vendido de autor brasileiro, em todo o país. Coincidentemente, esse livro, Onze Minutos, de Paulo Coelho, foi também publicado pela Editora Rocco, de modo que o editor Paulo Roberto Rocco, vindo a Salvador para a solenidade oferecida pelo Gabinete Português de Leitura, em seu Salão Nobre, na noite de 22 de Abril de 2004, levou as duas esculturas para o Rio de Janeiro. Também neste ano, contamos apenas com a lista anual de mais vendidos da revista Veja, para determinar os vencedores. A solenidade foi assim registrada:

Abrindo a sessão, o idealizador e coordenador do Cabral, escritor Adinoel Motta Maia, fez uma homenagem à Profa. Olga Metig, sepultada naquela data, em Salvador e compôs a mesa dos trabalhos, que ficou constituída pelo Sr. João Manuel Rodrigues (Presidente do Gabinete Português de Leitura), pelo Sr. Paulo Roberto Rocco (Editora Rocco), pelo Sr. Oscar Ribeiro Filipe (Cônsul de Portugal na Bahia), pelo Sr. Prof. Francisco Senna (Presidente da Fundação Gregório de Matos), pelo Sr. Armindo Carvalho (Presidente da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro – Hospital Português), pelo Sr. Elio Regis (Diretor da Suzano Bahia-Sul Celulose) e pela Srta. Joana de Melo Corrêa (representando os leitores fãs de Harry Potter). O primeiro a falar foi o Prof. Francisco Senna, que discorreu sobre Pedro Álvares Cabral e aquela data, do aniversário do Descobrimento do Brasil. Na sequência dos trabalhos, a jovem estudante Joana de Melo Corrêa, representando os leitores brasileiros, mostrou todo o seu interesse pelo personagem Harry Potter (foto 6). O editor Paulo Rocco foi então chamado para receber das mãos do Sr. Elio Régis, a escultura do Prêmio Cabral 2003 (foto 7), pela publicação do livro mais vendido nesse ano (300 mil exemplares): Harry Potter e a Ordem da Fênix, da escritora inglesa J. K. Rowling. Em seguida, o editor Paulo Rocco recebeu das mãos do Sr. João Manuel Rodrigues, a escultura do Prêmio Cabral 2003 – Autor Brasileiro, pela publicação do livroOnze Minutos, do escritor brasileiro Paulo Coelho – o mais vendido (250 mil exemplares) entre os de autor nacional. O editor Paulo Rocco recebeu, ainda, diplomas conferindo esses prêmios e agradeceu a homenagem, tecendo comentários sobre o Prêmio Cabral e abordando aspectos de sua vida como editor e da própria existência da Editora Rocco (foto 8). Encerrando a solenidade, o Sr. Cônsul de Portugal, Oscar Ribeiro Filipe, (foto 9), entre os Srs. Francisco Senna e João Manuel Rodrigues, fez um pronunciamento associando as obras que geraram aquela premiação ao prazer da leitura, mencionando a presença da escritora inglesa J. K. Rowling em Portugal, no exercício do ato de escrever. Ao fim, os presentes foram convidados a jantar no Pestana Bahia Hotel, vendo-se o editor Paulo Rocco pouco antes de sair do Gabinete, entre o Sr. José Nunes da Silva, o escritor Adinoel Motta Maia e os senhores Armindo Carvalho e Elio Regis (foto 10). A artista plástica Iza Guimarães, autora da escultura do Cabral, posou com as duas estatuetas entregues ao editor Paulo Rocco (foto 11), vendo-se ainda a miniatura da caravela São Pantaleão (foto 12), da frota de Cabral, construída pelo Sr. José Nunes da Silva, Diretor do Gabinete Português de Leitura e da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro, também famoso miniaturista de embarcações antigas e modernas, que levou aquela peça para o ambiente da solenidade.

A entrega do Prêmio Cabral 2004 foi realizada às 21:30 horas do dia 22 de abril de 2005 (505º aniversário do Descobrimento do Brasil), no Salão Fernando Pessoa, do Pestana Bahia Hotel, em jantar para quarenta convidados da comunidade portuguesa e do trade do livro na Bahia, oferecido pelo Gabinete Português de Leitura de Salvador, com o apoio do Pestana Bahia Hotel, fazendo-se assim o seu registro:

Na abertura da sessão, o idealizador e coordenador do Cabral, Adinoel Motta Maia, fez uma breve locução para agradecer a presença de todos e o apoio da Suzano Bahia-Sul Papel e Celulose, do Gabinete Português de Leitura, do Pestana Bahia Hotel e da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro, informando que naquela quarta edição, pela primeira vez, seriam entregues três estatuetas, uma para a editora do livro mais vendido no ano anterior (2004) em todo o Brasil (O Código Da Vinci, de Dan Brown – Editora Sextante, do Rio de Janeiro), outra para a editora do livro mais vendido, de autor brasileiro (Perdas & Ganhos, de Lya Luft – Editora Record, do Rio de Janeiro) e uma terceira – esta pela primeira vez – à editora do livro mais vendido, de autor português (Ensaio Sobre a Lucidez, de José Saramago – Editora Companhia das Letras, de São Paulo). Enfatizou que o evento, ano após ano, vai crescendo e confirmando seu caráter empresarial – não apenas cultural e social – com a presença também crescente de membros do trade do livro na Bahia (editores, distribuidores e livreiros), por ser o livro, antes de tudo, um produto industrial, de amplo impacto comercial, como atividade econômica geradora de empregos e riqueza. Chamou a atenção para o fato de “o livro mais vendido” ser justamente o parâmetro indicador da resposta do mercado aos investimentos feitos pelas editoras, com riscos calculados, mas nunca pequenos. Elogiou, assim, a figura do editor, homenageado naquela oportunidade, juntamente com o próprio Pedro Álvares Cabral, símbolo dessa força empreendedora, que enviou, em 2 de Maio de 1500, ao partir do Brasil, após a ele chegar em 22 de abril, uma nau de volta a Portugal, com os primeiros textos escritos neste País: as cartas, ao Rei D. Manuel I, de autoria do físico Mestre João e do escrivão Pero Vaz de Caminha, além das outras, dos capitães das naus. Também pela primeira vez, o Prêmio Cabral foi entregue diretamente por leitores, representantes de todos os brasileiros que votaram nas editoras, ao comprarem, nas livrarias, os livros que se tornaram mais vendidos. Assim, o leitor Francis Juliano falou sobre sua leitura do livro Ensaio Sobre a Lucidez (foto 13) e chamou o representante da Editora Companhia das Letras, Sr. Fernando Sardilli, a quem entregou o diploma, convidando o Sr. João Manuel Rodrigues, Presidente do Gabinete Português de Leitura, a fazer a entrega da estatueta correspondente ao livro mais vendido, de autor português. Do mesmo modo, a leitora Dora Ornellas falou sobre Perdas & Ganhos (foto 14) e entregou o diploma ao representante da Editora Record, Sr. Severino Martins, chamando o Sr. José Luís Gomes de Sá, Vice-Presidente da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro, para fazer a entrega da estatueta correspondente ao livro mais vendido, de autor brasileiro. Finalmente, a leitora Tárcia Paranhos falou sobre O Código Da Vinci (foto 15) e entregou o diploma ao representante da Editora Sextante, Sr. Robson Corrêa, pedindo ao Sr. Pinras Ely Abenhaim, Presidente da Câmara Bahiana do Livro, que entregasse a estatueta correspondente ao livro mais vendido de 2004. Encerrando a solenidade, Adinoel referiu-se a uma frase que ouviu na televisão, meses atrás, em 16 de janeiro: “Tem sucesso, a empresa que produz o que se vende e fracassa, a empresa que apenas vende o que se produz”. Alertou, assim, para a necessidade de editar livros para os quais há leitores ávidos por ler, sendo este um fator para manter e ampliar o hábito da leitura no Brasil. Encerrando, disse ter ouvido sugestões no sentido de que em 2006, fossem entregues quatro ou cinco estatuetas, se possível, por exemplo, para a editora do livro mais vendido, de autor baiano, mas, ao contrário, informou que no ano seguinte seria concluído o período de cinco anos para a realização do Prêmio Cabral em sua fase experimental, gerando um relatório e uma proposta com base nessa experiência para a continuação do evento.

Com a entrega do Prêmio Cabral 2005, no dia 2 de maio de 2006, encerrou-se a pesquisa realizada pessoalmente por seu idealizador, formando, assim, uma base de dados que aponta para uma realidade: são poucos os editores que têm a capacidade de lançar livros com boas perspectivas de venda, desejados por centenas de milhares de pessoas num país. Assim, o Prêmio Cabral, a estatueta, estava sendo entregue às mesmas pessoas, não mais se justificando essa ação, com essa formatação. Tornou-se necessário parar para reajustar a proposta. Registrou-se, então:

Em 2006, o Prêmio Cabral 2005 foi entregue em solenidade realizada pelo Gabinete Português de Leitura em seu salão nobre, aberta às 19:30 horas :pelo seu Presidente, João Manuel Rodrigues, seguindo-se palestra do escritor Adinoel Motta Maia sobre “A Carta do Mestre João, Primeiro Texto Científico Escrito no Brasil”. Em sequência, foram entregues as três estatuetas, com pronunciamentos da leitora jornalista Sandra Régis (sobre José Saramago, autor de Intermitências da Morte, o livro de autor português mais vendido no Brasil) – foto 16, na qual se vê o Presidente João Rodrigues e a leitora médica Thati Seixas Maia, que falou sobre Dan Brown, autor de O Código da Vinci, o livro mais vendido no Brasil, pelo segundo ano consecutivo. Essas duas estatuetas foram entregues diretamente pelas referidas leitoras, respectivamente ao distribuidor e livreiro Primo Maldonado, representante da Editora Companhia das Letras e ao distribuidor Robson Corrêa, representante da Editora Sextante, seguindo-se a entrega da estatueta do Cabral também a este representante, correspondente ao livro mais vendido no Brasil, de autor brasileiro (Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, de Augusto Cury), pelo Presidente João Manuel Rodrigues.

O livro mais vendido pode ser o preferido para o fim de semana; pode ser o mais necessário para a empresa que se inicia; pode ser o que nos traz uma resposta para a razão de nossa existência; pode até mostrar-se cheio de fórmulas prontas para problemas complexos que não serão resolvidos com ele. O que importa é que alguém o escreveu e outra pessoa acreditou nele como um produto de interesse para o mercado de leitura. Esta outra pessoa respeita tanto essa gente que entra em livrarias, que arriscou seu capital e o publicou. Isso existe e não pode nem deve ser escondido. Por que não fazer uma festa para esses leitores que compram livros, para esses escritores que os escrevem, para esses editores que os publicam e para esses livreiros que os vendem? Por que não estimular toda essa gente que pensa no livro como uma coisa do interesse de multidões e não apenas para si próprio? A ideia está lançada e experimentada. Mostrou que só precisa de estrutura e recursos para ser implementada com sucesso abrangente e duradouro e ser capaz de despertar a mídia para essa pauta, não apenas de caderno cultural, mas de todos os outros e certamente até de caderno econômico. Nada poderá ser feito, no entanto, enquanto editores e livreiros – através da Câmara Brasileira do Livro? – não fizerem sua parte, uma pequeníssima parte de cada um, fornecendo os dados, os números, claros, limpos, honestos, de todos os livros vendidos, dos editores para as livrarias ou dos livreiros para os leitores. Uma lista completa, ao fim de cada ano. Só isso.

Salvador, 20 de Janeiro de 2007
Adinoel Motta Maia

LINHA-HORIZONTAL

SEGUNDA ETAPA

UM EVENTO

Verificava-se, em 2006, que eram sempre as mesmas editoras, a receber o prêmio, denotando uma visão diferenciada destas, para comprar direitos autorais de obras mais vendidas no Exterior. Assim, com a entrega do Prêmio Cabral de 2005, em 2 de maio de 2006, encerrou-se a primeira fase do evento. Ficava claro – diagnóstico científico – que uns poucos editores brasileiros dominavam o mercado de bestsellers no Brasil e eram sempre os mesmos a receber as estatuetas do Cabral. Mérito incontestável de tais editores, no seu papel empresarial de publicar obras preferidas pelo público que forma o mercado de leitura. Essa experiência serviu para mostrar que não tinham competidores em número suficiente para alternar a premiação, ano após ano, não mais se justificando continuá-la, enquanto nossos escritores, brasileiros, salvo duas ou três exceções, não se apresentem com capacidade de vencer os estrangeiros, na tentativa de atrair muitos milhares de leitores. Por outro lado, deve se destacar que, ao contrário de outros prêmios, conferidos por juris especializados, este vinha diretamente do público leitor, ao escolher os livros nas livrarias, assim votando neles, diretamente, para a premiação..

Achamos, então, um motivo para repensar o Prêmio Cabral, explorando um outro aspecto, mas mantendo o nome e a personalidade do navegador português que chegou ao Brasil, descobrindo-o para Portugal e para o mundo.  Refletindo sobre aquela viagem de volta do Gaspar de Lemos, para dar a notícia da descoberta do Brasil, evidentemente a teria feito obrigatoriamente – pelas condições de vento e de corrente marítima –  bordejando a costa, naquela altura do ano, além do que, acreditando ter-se descoberto uma ilha, teria recebido instruções de verificar, de Porto Seguro para o Norte, até onde ela ia, marcando com o astrolábio a latitude da sua extremidade boreal. Uma pergunta, nos surgiu então na mente: por que ninguém pensou nisso antes?  Insistindo especulativamente nesse pensamento, também nos pareceu evidente, que, assim, Gaspar de Lemos utilizou o seu astrolábio para marcar os acidentes geográficos que ia encontrando, como a foz de cada rio, as baías e naturalmente o relevo e a vegetação litorâneos. Obrigatoriamente, passou pela baía hoje conhecida como de Todos os Santos, anotando sua latitude. Naquela viagem de retorno a Portugal, teria finalmente deixado a costa, onde ela faz forte declinação para o oeste, dali indo diretamente para Lisboa e fazendo o seu relatório ao Rei, que imediatamente mandou preparar uma expedição com três barcos, comandados por Gonçalo Coelho, Américo Vespúcio e sem dúvida, Gaspar de Lemos, que já fizera a rota em sentido contrário, chegando essa expedição naquela baía gigantesca, em 1º  de novembro de 1501, dia de todos os santos e assim, Baía de Todos os Santos. O que importa agora, neste texto, é registrar o nosso insight imediato, assim verificando que entre 1º de maio e 1º  de novembro são seis meses exatos, período para um projeto de atividades na Baía de Todos os Santos, que chamamos de Projeto BTS, abrindo-o então doravante com o Prêmio Cabral, que, assim, no entanto, retornava ao calendário, mas totalmente modificado. Ao invés de editores, seriam escolhidos indivíduos baianos (nascidos ou adotados), assim realizadores de ação ou obra de repercussão internacional, refletindo a ação do navegador Pedro Álvares Cabral, não mais apenas na literatura, mas nas artes em geral, como na ciência e na tecnologia. Foram necessários alguns anos, para repensar a retomada da entrega do prêmio, isto é, da estatueta do Cabral.

Anos passados, após comemorar-se os 150 anos do Gabinete Português de Leitura, definiu-se que a sua entrega seria feita apenas nos salões e biblioteca do Gabinete Português de Leitura e começou-se em maio de 2013, homenageando o médico Dr. Edgard Santos, fundador da Universidade da Bahia, que, para aqui trazendo o que melhor encontrou nas artes e ciências de outros países, montou não só a estrutura física, como  o clima universitário, onde apenas existiam escolas isoladas – faculdades – aqui instalando a prática  da interdisciplinidade, introduzindo estudo e pesquisa de novos conhecimentos e proposta de convivência internacional, onde só havia a pura recepção de propostas já solidificadas na prática da formação profissional. Sendo já falecido o homenageado, a estatueta foi entregue post-mortem ao seu filho, igualmente médico, Dr. Roberto Santos, também ex-Reitor da Universidade Federal da Bahia, assim como ex-Governador do Estado da Bahia, entre outras atividades políticas e científicas.

Ano seguinte, maio de 2014, o Prêmio Cabral foi para outro médico, Dr. Elzimar Coutinho, cientista cujos trabalhos projetaram a ciência baiana no Exterior, recebendo-o ao vivo numa noite de gala, no salão nobre do Gabinete Português de Leitura, onde foi mostrada a sua carreira científica como pesquisador e profissional atuante, em prol do planejamento e controle da reprodução humana consciente e responsável, espinha dorsal de seus trabalhos na Bahia e fora da Bahia.

Também em maio, no ano de 2015, a Diretoria do Gabinete Português de Leitura decidiu entregar o Prêmio Cabral a um cidadão baiano nascido na Argentina… o artista plástico Caribé

Neste ano de 2016, não em maio, mas propositadamente em novembro, não mais dentro do Projeto BTS (2 de maio a 2 de novembro), mas separadamente deste, o Prêmio Cabral foi para o engenheiro civil e navegador Aleixo Belov…..

Continuemos sempre a divulgar a figura pouco conhecida e enigmática de Pedro Álvares Cabral. O homem que fincou na Terra da Vera Cruz – assim considerada e nomeada – a bandeira, não de Portugal, mas da Ordem de Cristo, cuja cruz, nela estampada, assim como nas velas das embarcações, perpetuava os ideais e as ações dos templários protetores dos peregrinos que caminhavam por terras portuguesas para o encontro com o Apóstolo Tiago.

Assim, passo a passo, uma pedra de cada vez, sem contrariar as leis naturais, vamos construindo, evolutivamente, a memória sem deixar de lado a estrutura que põe em prática aquela ideia, de dar ao público leitor o poder de premiar os editores que o respeitam e servem, através da eleição direta realizada nas livrarias, onde cada pessoa exerce o seu direito de opção e escolhe o que ler, para o seu lazer ou o atendimento de uma necessidade qualquer, mas viramos a esquina para estimular um novo panorama.

Adinoel Motta Maia

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