Vamos aos dicionários. No do Aurélio, Cidadão é  “o indivíduo no gozo dos direitos civís e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”. Igualmente para o português Cândido de Figueiredo, é “aquele que está no gozo dos direitos civís e políticos de um Estado”, mas também, o “morador de uma cidade”, ao qual se aplica o adjetivo “citadino”. Quem nunca morou ou mesmo deteve-se por alguns dias, uma semana ou um mês, no campo, provavelmente não percebe o privilégio de se ter as estruturas ditas “urbanas” no seu cotidiano.

A tal direito, no entanto, corresponde deveres não raramente negligenciados e muitos são os moradores nas cidades que não são, verdadeiramente, cidadãos. Quem milita na imprensa e vive o jornalismo nas ruas, com todo o seu poder de crítica e de penetração nos mais recônditos lugares de uma cidade, tem o privilégio de descobrir agentes e ações jamais imaginados pelo indivíduo que, cioso de suas obrigações diárias, não disponibiliza algum tempo para outras descobertas, que não as obrigatórias, do seu cotidiano.

No chamado “corre-corre” de cada pessoa que tem uma agenda a cumprir, a cada dia, perde-se muito ao não olhar em volta e parar, ainda que por alguns minutos, na observação ou mesmo participação em evento trivial, marginal, tangenciando-o. Dias, meses ou anos depois, ouvindo referência a ele, vendo-o valorizado em algum contexto, lamenta não lhe ter dedicado alguma atenção. O chamado “faro jornalístico” é, assim, um importante fator de mudança na sociedade. Não são raros os casos em que um repórter atento, com pauta a cumprir, desvia-se desta ao se defrontar com uma situação digna de atenção e produz uma notícia, que, em cascata, se precipita na sociedade, com efeito(s) não imaginado(s).

Não só o jornalista, mas, cada cidadão, tem o direito de interferir no cotidiano urbano, contribuindo com sua atenção e capacidade de transformar o cenário, às vezes precisando apenas telefonar para alguém que possa alterar algum detalhe na estrutura viária ou predial, atuando na sua própria profissão, com ou sem proposta de remuneração, no sentido de melhorar uma estrutura ou o funcionamento de algum equipamento.

Em outras palavras, finais, uma nação é considerada desenvolvida quando cada um dos seus indivíduos sente-me comprometido com sua família, sua comunidade, sua cidade e – por que não? – toda a nação. Quando essa pessoa  é um jornalista ou simplesmente está nas “redes sociais”, cumpre sua missão com um simples movimento digital e pode, até, mudar o mundo.

È o que estamos fazendo…

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