ARTIGO CIENTÍFICO

UNIFICAÇÃO DOS CAMPOS: PSÍQUICA E FÍSICA
       Energia e matéria escuras: mais velozes do que a luz

Adinoel Motta Maia ( * )

Na minha juventude, aos 18 anos, estudando no Colégio da Bahia até 1955, ano da morte de Albert Einstein e Teilhard de Chardin, ambos em Princeton, nos Estados Unidos, a humanidade perdeu os maiores pensadores de então, respectivamente no campo científico – na Física, explicando o Universo – e no filosófico – na Religião, explicando Deus. Um ano antes, tinha morrido traumaticamente Getúlio Vargas, no Brasil, deixando uma herança de caos no campo político-ideológico, atraindo os estudantes de nível médio e superior para um comportamento social ativista de esquerda. Fui um dos poucos que se isolaram e resistiram ao apelo emocional, mantendo-me fiel à Ciência, assim colhendo logo depois em fonte mística – uma monografia rosacruz – exatamente no dia em que completava 20 anos de vida (14 de agosto de 1957), uma definição que alteraria o meu curso intelectual –  “o tempo é a duração da consciência” – num momento em que se tinha o “espaço-tempo” einsteniano na base de todo o conhecimento científico. A Física, então, era sinônimo de Ciência. Dois anos depois, eu iniciava o curso de Engenharia Civil, na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, onde teria dificuldades com as matérias que precisavam da matemática dedutiva, necessárias à Física e ministradas como indispensáveis ao cálculo estrutural de edifícios, pontes e similares (área pela qual não tinha interesse). Minha matemática já se inclinava para a indução geométrica que me empurrou para outro setor, formando-me como engenheiro de projeto geométrico de estradas e aeroportos, na área dos transportes, discípulo do mestre Vasco de Azevedo Neto, área na qual tornei-me profissional, ao tempo em que desenvolvi aptidão para a pesquisa científica nos campos da astronomia e dos fenômenos cósmicos, fazendo posteriormente concurso para ingresso no magistério de nível superior, na Politécnica, assumindo a regência da disciplina optativa Estradas e Aeroportos I – Projeto e fundando outras três: Aeroportos, Fundamentos de Astronomia e Astronáutica e Evolução dos Transportes.

Neste momento, conduzido pelo raciocínio lógico, após escrever e publicar a teoria unificada do universo perseguida sem sucesso por Einstein – queria ele fazê-lo apenas com a Física – e tangenciar o pensamento de Chardin, retratando Deus como a consciência desse espaço infinito, percebi ser este formado pela consciência de um ponto em velocidade infinita, ocupando simultânea e eternamente todo o espaço  no tempo zero, não como um criador dinâmico – assim é visto pela religião – mas como uma criatura estática, consciente de si mesma, referencial, onde módulos dessa mesma consciência se organizam e se deslocam em quanta – quantidades de consciência estruturadas em sólidos geométricos – evolutivamente mais volumosos e complexos – tanto em linha, em ondas; como em blocos, em partículas – criando conjuntos de consciência que se juntam a outros – tão menos velozes quanto maiores – na escuridão cósmica.

Tal panorama já foi descrito literária e superficialmente como o caos, com tais conjuntos colidindo e crescendo em volume, diminuindo em velocidade, até que um deles – ao qual se deu o nome de fóton – já bastante massivo, se manifestou em luz, movendo-se a cerca de 300 mil quilômetros por segundo. A imagem de uma explosão de luz, assim surgindo no espaço cósmico universal, foi impropria e ilustrativamente denominada Big Bang. Uma explosão não destrutiva. Ao contrário, construtora da energia e da matéria como as conhecemos, formadas por aquelas outras estruturas de consciência em velocidades maiores que a da luz, por isso escuras, que ainda existem em todo o Universo e são hoje ainda desconhecidas mas consideradas como “energia escura” e “matéria escura”. Não precisamos de cálculo matemático algum, para induzir o que seja isso. Basta uma ideia a partir da figura de uma pessoa com um copo em cada mão. Na mão esquerda, um copo “vazio” – apenas com ar – tem a velocidade maior que a da luz. Na mão direita, outro copo tem uma fonte de luz e a velocidade igual ou inferior à da luz. O objetivo do jogo é o copo da mão direita iluminar o copo da mão esquerda. Ainda que o copo da mão esquerda venha ao encontro do outro, jamais será iluminado, mantendo-se escuro porque é mais veloz que a luz e esta não o alcança. Pode-se concluir que, ao lado dos objetos luminosos, também há aqueles com velocidades inferiores à da luz, que podem ser iluminados, mas outros não, assim permanecendo escuros todos os que se movem com velocidade superior à da luz.

Essa experiência simples e imaginária – feita a qualquer momento – é suficente para que se compreenda que a luz, sendo a manifestação de um campo eletromagnético que se propaga com a velocidade aproximada de 300 mil quilômetros por segundo, representada pelos fotons em movimento, com essa velocideade no espaço cósmico – no vácuo – só atinge os objetos – matéria ou energia – cuja velocidade é menor do que a dela, não podendo ser ultrapassada por qualquer manifestação da energia ou da matéria, nos domínios da Física. Evidentemente, qualquer outro objeto no espaço cósmico não iluminado por tais focos e assim, portanto, escuro, sendo mais veloz que o foton, está fora dos limites da Física, sendo esta a razão de tal “presença” ser escura e ter apenas indícios gravitacionais a indicá-la no espaço, fora do campo da energia e da matéria, mas num outro onde há contudo a consciência da existência de conjuntos com influência gravitacional e posição definida. Os objetos existentes no espaço cósmico, no Universo infinito e eterno, podem ser classificados, portanto, em luminosos, iluminados e escuros.

Ainda assim, podemos fazer um exercício, na busca de uma comprovação matemática, pelo menos aritmética e geométrica para tal assertiva. Para Henri Poincaré – o maior matemático vivo no início do século 20 – também filósofo “profundo” da Ciência, cobrindo os campos da matemática e da física, a Ciência nasce na Hipótese, a mais pura e primeira manifestação do ego em busca de uma revelação ou de uma solução para qualquer problema. PODEMOS SEMPRE INFERIR COM BASE NA CONSCIÊNCIA, QUE EVOLUI PARA A INTELIGÊNCIA NA DIREÇÃO DA SAPIÊNCIA. A filosofia científica de Poincaré analisa as diversas ciências a partir da aritmética e da geometria. Perguntado sobre a natureza do raciocínio matemático, disse que não é dedutivo, mas sim, indutivo, sem prejuizo para o rigor científico. Defendeu os axiomas como a base desse raciocínio matemático, a partir da aritmética elementar e das operações da adição e da multiplicação. Chamou esse processo de “demonstração por recorrência” – o raciocínio matemático por excelência (…) inacessível à demonstração analítica e à experiência”. Para ele, o processo da experiência leva à consciência da intuição, explorando-a e assim concluindo que o papel da indução na matemática é fundamental, situando-se na base da demonstração. Ainda para ele, a indução matemática (a demonstração por recorrência) é uma propriedade “da nossa própria consciência”(**).

Em 1887, Poincaré publicou um texto sobre as hipóteses fundamentais da geometria, nos movimentos que não alteram a distância entre dois pontos de uma figura plana ou sólida, em translação ou rotação, assim como na combinação destas. Um dos axiomas adotados: “o plano tem duas dimensões”. Daí, a conclusão lógica: se uma figura não sai desse plano e mantem dois de seus pontos fixos, toda ela permanece fixa”. Este é apenas um exemplo do uso da matemática (do raciocínio lógico), na geometria. Newton (Isaac) dizia ser a geometria um capítulo da mecânica. Também Gauss (Friedrich) considerava a geometria como um ramo da mecânica. Kant, na sua CRÍTICA DA RAZÃO PURA, diz que o espaço é o domínio da consciência (dizemos nós, no tempo zero, com velocidade infinita) e que o cálculo geométrico elimina o tempo. Leibnitz afirma que o espaço é “uma intuição pura”. Ou seja: “a certeza evidente e necessária de todos os princípios geométricos”. Referia-se à geometria euclidiana, “uma ciência que determina sinteticamente e a priori, as propriedades do espaço”. Na PSÍQUICA, quando o tempo é zero, a velocidade é infinita. A matemática (do tempo zero) É A GEOMETRIA. Assim, a matemática da geometria – da PSÍQUICA – é uma coisa (INDUTIVA) e a da FÍSICA (com o tempo) é outra (DEDUTIVA). OS ENTES GEOMÉTRICOS SÃO APENAS OS PONTOS, AS RETAS E AS SUPERFÍCIES (INCLUSIVE NO SÓLIDO TRIDIMENSIONAL).

Nesses 60 anos de estudo, reflexão e pesquisa, caminhei na direção de criar uma disciplina – a Psíquica – para fazer par com a Física, assim unificando os dois campos – separados pela velocidade da luz – para esclarecer os mistérios do comportamento quântico e das chamadas energia e matéria escuras (no campo da Psíquica). A Teoria Unificada do Universo foi assim por mim concebida e publicada em artigo na edição de 2007 da Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, complementada por outro artigo com a Teoria da Evolução da Consciência na edição de 2016 da mesma revista. Além do que, ambas estão publicadas integralmente no meu sitewww.adinoel.mottamaia.nom.br – onde venho colocando também suplementos desses textos, anunciadores de novas descobertas que os confirmam e detalham. A opção por tais suportes visa abrir o conhecimento científico universalmente, disponível a todos os intelectuais, sem privilégio para acadêmicos pós-graduados.

Digamos todos nós: a hipótese é a mais pura e a primeira manifestação do ego em busca de uma revelação ou de uma solução para qualquer problema, com base apenas na consciência, que conduz à pesquisa intelectual e pode ser o sinal da sapiência, que é o conhecimento obtido a partir da revelação do ego cósmico, eterno, ao qual cada ego neural está ligado, desde o nascimento de um ser vivo. A matemática – é preciso desmistificar – não é mais que um processo que se inicia com evidências, às quais se chega após uma sequência de raciocínios lógicos. A certeza científica só é obtida através da confirmação experimental (física ou psíquica) após o raciocínio lógico. A matemática é um dos instrumentos deste – nada mais do que isto – justamente aquele que utiliza a dedução (na Física), podendo-se chegar ao mesmo resultado por meio da indução (na Psíquica). Poincaré admitia que muitos princípios “científicos” seriam apenas convenções comodamente instaladas no raciocínio lógico. Chamou a atenção para não se confundir as “relações entre os objetos” com os próprios “objetos”. Daí, perguntou se o raciocínio matemático seria “realmente dedutivo, como normalmente se crê”, chamando a atenção para uma outra forma de raciocínio lógico: o indutivo, para ele “o que se torna fecundo”.

Perguntou ainda Poincaré: “se a ciência matemática (…) não é dedutiva, senão em aparência, de onde vem seu perfeito rigor?” Para nós, observadores do século 21, o que fica evidente quando se aprofunda essa discussão é que a matemática – na tecnologia e na ciência –  é como a poesia na literatura. Dá-lhe um certo brilho, mas é apenas uma auxiliar, enquanto a aritmética e a geometria são fundamentais na engenharia do pensamento científico e tecnológico. Mais do que a dedução – diz Poincaré – a indução tem um papel fundamental na matemática e assim é, “porque não é senão a afirmação de uma propriedade da nossa própria consciência”.

Cada disciplina impõe sua própria matemática, como cada destino tem o seu próprio caminho. Assim, se o cálculo infinitesimal nasceu com Isaac Newton ao fundar a Física, o status geométrico nasce com a Psíquica, que admite estar a consciência em todos os lugares ao mesmo tempo (velocidade infinita porque o tempo para ela percorrer o espaço é sempre zero, qualquer que seja a dimensão deste):

V = e/t = e/zero = infinito

Assim, a Física tem sua matemática, dedutiva e a Psíquica também tem a sua, indutiva. Ao se afirmar que o “raciocínio por recorrência” não tem origem na “experiência”, conclui-se que ele não depende dela, assim como da análise. Ao contrário, nos leva diretamente à intuição, por um “juizo sintético a priori”. Nesse ponto, evidencia-se haver uma CONSCIÊNCIA de tal “intuição” a ser admitida e tratada racionalmente. Por isso, Poincaré dá à INDUÇÃO, um papel fundamental na matemática, obtido por meio de uma demonstração que surge da própria natureza da consciência. Referia-se, ele, à “nossa consciência”, sem imaginar, então, que esta se encontraria também em cada elemento, ainda que infinitesimal, do Universo, onde – afirmamos nós – o ponto fundamental, que não tem dimensão, mas apenas posição, só existe se houver a consciência desta, no espaço. Ao escrever em 1887, “Sobre as Hipóteses Fundamentais da Geometria”, ele diz que as figuras geométricas são objetos com duas dimensões e rígidas no plano euclidiano, podendo sofrer rotação e translação sem alterar suas formas e dimensões, que são três, nos sólidos geométricos.

Assim, Poincaré – ao insistir nos movimentos no plano euclidiano – é um apoio para nossa proposta exposta em duas teorias já publicadas – de que, no início, o Universo era o NADA,  mas não o ‘NADA’ bíblico e sim o espaço infinito dos pontos – apenas posição – tão próximos que se fossem mais próximos seriam um só, separados por infinitésimos – distância tão pequena que se fosse menor não existiria – mas uma infinidade destes, somados, nas três direções ortogonais, de modo que a infinidade do espaço é dada pela soma de todos os infinitésimos entre todos os pontos sem dimensão qualquer. Cada ponto com a consciência de sua posição, sem a qual nenhum deles existiria. Mais que isso, também com a consciência de trocar de posição, no tempo zero – a consciência tem velocidade infinita – e formar com outros pontos figuras geométricas (conjuntos de consciência de posição) planas e sólidas, capazes de trocar de posição e aumentar de volume (quantum) no tempo zero, sendo os quanta entidades psíquicas com a propriedade de compor estruturas cada vez maiores e mais complexas que se atraem no espaço infinito (cósmico), formando partículas psíquicas – também cada vez mais conscientes de suas posições, volumes (os quanta), estruturas e movimentos – ainda escuras, tornando-se cada vez mais pesadas e menos velozes, até que se manifestam em luz, assim surgindo a partícula fundamental da energia do campo eletromagnético: o fóton.  Com os fótons, a energia e em seguida, a matéria. Os quanta tornam-se partículas que aumentam em volume, massa e complexidade na direção dos bósons, dos quarks, dos elétrons, do átomo, surgindo a energia e a matéria, manifestação da consciência também no campo da Física, separado do campo da Psíquica pela (velocidade da) luz.

Na escuridão da Psíquica, estão os quanta das impropriamente chamadas energia e matéria escuras. Na claridade da Física, as ondas e partículas da energia e da matéria.

Ficamos, assim, com a estrutura completa do Universo em dois campos: o das manifestações psíquicas, estruturadas apenas na consciência de posição geométrica no espaço infinito e no tempo zero, isto é, na atualidade (movimento instantâneo, velocidade infinita); e o das manifestações físicas, estruturadas na consciência do espaço e do tempo finitos e variáveis, da realidade. Nesse contexto, a crença e a fé cedem lugar para a indução psíquica na cultura dos fenômenos (quânticos) que se manifestam em velocidades superiores à da luz – escuros, portanto – ao lado da dedução física na cultura dos fenômenos que se manifestam em velocidades igual ou inferiores à da luz, por esta iluminados.

Assim, evidentemente, se juntam no Universo infinito e eterno da Psíquica, os multiversos da Física, entre os quais este onde vivemos, que nasceu com um big bang e se estrutura em galáxias, cujas estrelas são como os elétrons nos átomos de um corpo…

Como ainda queremos demonstrar… quando conseguirmos publicar…

                                                              Salvador, Bahia, Brasil – 21 de Janeiro de 2018

Adinoel Motta Maia


(*) Adinoel esteve em toda sua vida pós educação secundária, feita sobretudo no Colégio da Bahia; e superior, na Escola Politécnica da Universidade (Federal) da Bahia, a partir de 1959 como estudante de Engenharia Civil, depois fazendo concurso ali para professor Auxiliar de Ensino e chegando a Professor Adjunto (não conseguindo ser Titular porque a Universidade só abriu esse concurso após sua aposentadoria). Hoje é conselheiro do Instituto Politécnico da Bahia, a entidade que, fundada em 1896, criou a Escola Politécnica em 1897. Em todo esse tempo, desde 1957, estudou, pesquisou e estruturou seu pensamento na direção da Psíquica, uma ciência para cobrir os fenômenos cuja velocidade está acima da velocidade da luz, num campo paralelo ao da Física, que cobre o outro, das velocidades igual ou abaixo daquela. Unificou esses campos com um artigo publicado em 2007 e fechou tudo com outro sobre a evolução da consciência, publicado em 2016, ambos em edições anuais da Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Este novo artigo coroa os anteriores com a revelação do que são as chamadas energia e matéria escuras, à luz da evolução da consciência que se estrutura geometricamente e cresce em volume (quanta) para criar a energia e a matéria.

(**) Os dados sobre a formação e a filosofia de Poincaré, neste texto, foram colhidos em uma edição especial (2012) da Scientific American, sobre A Vanguarda Matemática. Formado pela Politécnica da Universidade Sorbonne, na França, Henri Poincaré assumiu a regência de Mecânica e a cátedra de Física Matemática e de Astronomia Matemática, na mesma universidade. Publicou Ciência e Hipótese e Ciência e Método. Escreveu: “As verdades matemáticas derivam de um pequeno número de proposições evidentes, por meio de uma cadeia impecável de raciocínios”.

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