PREÂMBULO

Saber esperar é uma prática saudável, inspirada pela própria Natureza, no seu eterno cotidiano. A paciência é a argamassa que une todos os tijolos na construção de uma teoria e o lubrificante que torna perene o seu funcionamento. Deixar acontecer e observar o fenômeno é fundamental para o registro sem o qual não há estudo e descoberta. Unanimemente concordamos, na vida academica, que não deve haver afirmação sem a experiência que comprova esse fenômeno e encaminha sua observação para fora do laboratório, até agora  limitado à realidade física, mas logo montado para revelar a atualidade psíquica[1], não apenas a psicológica, por ser esta restrita à consciência no cérebro animal; embora inserida na consciência universal.

Neste momento em que o pesquisador se defronta com uma descoberta destinada a muitos leitores abertos às novidades, é interessante propor três experiências singelas e preparatórias, no enfrentamento dos participantes desta leitura a guisa de sessão introdutória, para a aceitação de um novo campo da Ciência, não se restringindo apenas à observação dos fenômenos cuja velocidade é menor ou igual à da luz – o domínio da Física – mas também à daqueles outros, cuja velocidade é maior que a da luz, até agora considerados apenas no campo da Religião, mas seguramente aqui colocados no domínio da Psíquica, disciplina científica que estamos fundando, para o estudo desse outro campo científico, onde as velocidades são tais, superluzenses.

Assim, preliminar e preparatóriamente, vamos apresentar três exemplos singelos – quase lúdicos – de breve exercício de constatação lógica, imediata, racional e experimental, que colocam o laboratório físico à mercê dos valores psíquicos da consciência fisiológica, no homem.


[1] Ver “Teoria Unificada do Universo” em Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, número 102 – 2007 (ou no site www.adinoel.mottamaia.nom.br).

1. Os dois lados da porta.

A qualquer momento e distância, ao se observar ou fotografar um objeto, por todos os ângulos, em qualquer direção, sendo-se um observador parado no tempo e no espaço, situado fora desse objeto, encontra-se sempre dois lados opostos a serem considerados: o da frente, visível e o de trás, invisível. Se tomamos uma porta fechada, como exemplo, pintada de azul, em um lado; e de vermelho, no lado oposto, colocando-se um observador em cada lado, um deles jurará até a morte que a porta é vermelha e o outro, que ela é azul, cada um com sua verdade baseada apenas na sua própria observação direta do objeto. Essa experiência é tão primária que parece desnecessária, mas o fato é que há muitas afirmações que se costuma aceitar com base em experiências desse nível, conhecendo-se apenas um dos lados da realidade. Evidentemente,  a ciência não pode confiar apenas na observação frontal e não deve considerar esta como suficiente para a comprovação de um fenômeno ou da existência e natureza de um objeto, quando se tem observador(es) isolado(s), que não se comunica(m) ou não conhece(m) todos os ângulos de observação, interna e externa, dele. Parece desnecessário dizer isso, mas é o que está a acontecer com a nossa Ciência, considerando apenas o lado da Física para observação e estudo, isto é, o lado dos fenômenos cujas velocidades são inferiores ou igual à da luz. O outro lado da porta, neste caso, é o da Psíquica, onde os fenômenos ocorrem em velocidades superiores à da luz, ainda não aceitos pela Ciência, que os deixa em mãos dos que, sem a disciplina e o método da razão, cultivam a paixão, sob o domínio da Religião.

2.  Os dois lados da moeda.

No caso de um observador com uma moeda em suas mãos, ele só a identificará, após observar seus lados opostos, para poder informar o seu valor nominal, além de como, onde e quando foi emitida com esse valor. Mais do que sua simples identificação física, contudo, é indispensável para o perfeito conhecimento da moeda e do seu valor, algo mais do que a análise do material que suporta tais informações monetárias. É importante considerar também a conjuntura econômica que determina a variação do valor relativo entre essa e outras moedas, no mercado internacional, inclusive o do valor que teria o metal com o qual é feita, se ela fosse derretida. Como ocorreu com os dados que se contradizem, há que se considerar os dados psíquicos, cognitivos, até os que estão fora do contexto, mas os completam, nas mais diversas disciplinas, cuja falta induz ao erro. A nossa Ciência Física está cheia de exemplos em que se erra pela ausência do conhecimento de fatores psíquicos próprios dos objetos e dos fenômenos nos quais estes se inserem. Por exemplo, é necessário saber se a moeda ainda está em circulação ou não. Neste caso, quando e onde circulou e em que contexto chegou ao local em que se encontra. Teria ela, assim, uma história a contar? Que outras pesquisas teriam de ser feitas, para se chegar a tais respostas? Sua memória aumentaria o seu valor e seu destino seria alterado, após esses novos dados.

3. Os dois lados do barandão cósmico.

A simples experiência de amarrar uma pedra na ponta de um cordão e fazê-la girar em torno da mão que segura a outra extremidade desse cordão, na velocidade de um metro por segundo – por exemplo – prova que a pedra é vista em todos os lugares da sua órbita ao mesmo tempo e se torna um aro aparentemente sólido, graças ao seu movimento. Se tivermos um aro para cada um dos dez, vinte ou trinta planos com passagem no centro, por exemplo, de uma esfera, cada um com sua pedra, em velocidade pouco menor que a da luz, teremos algo muito parecido com um átomo de algum elemento químico. Essa experiência demonstra que se todos os elétrons dos átomos de uma mesa posta para o jantar fossem parados por alguns segundos, por uma hora ou por algum outro intervalo de tempo, a mesa deixareia de existir fisicamente durante esse intervalo e tudo o que estaria em cima dela cairia no chão, pelo mesmo motivo que o aro acima referido só existe se a pedra está em movimento. Como toda a matéria é feita com átomos cujos elétrons giram continuamente em volta do núcleo, é a velocidade destes que nos dá a consciência da sua existência e esta, portanto, tem dois lados: o da realidade física (velocidades igual ou menores que a da luz) e o da atualidade psíquica (velocidades maiores que a da luz), com a consideração de movimentos de rotação (velocidade radial) e de translação (velocidade tangencial).

Estas três demonstrações singelas trazem uma ideia bastante lúcida que nos permite afirmar: a Ciência Física depende da informação completa dos elementos de um objeto ou de um fenômeno, no espaço, com plena consciência neural –  no observador humano – dos intervalos de tempo, das distâncias nesse espaço e consequentemente de suas velocidades, cuja posição e dimensão, são os tijolos da matéria e da energia, no Universo, sua realidade. Podemos demonstrar, assim, no campo da Ciência, que a realidade é o domínio e o campo da Física, mas ainda não se trabalha cientificamente com a atualidade, o campo e o domínio da Psíquica, assim creditando à Fé, no campo da Religião, a observação e compreensão dos fenômenos que se realizam em velocidades maiores que a da luz, além daqueles que estruturam as realidades da matéria e da energia, físicas, observáveis sem a consideração da “matéria” e da “energia” ditas “escuras”, que podem estar ocultas, porque suas velocidades seriam maiores que a da luz, fugindo desta, não sendo alcançadas por ela. Em verdade, se temos uma fonte de luz e a dirigimos para o espaço onde passa um objeto com velocidade maior do que a dela, é evidente que esse objeto se manterá na escuridão, isto é, não será visto porque os raios luminosos não o atingirão.

Tal constatação coloca todos os cientistas, hoje, nas mãos dos filósofos e dos teólogos, que, ao contrário dos físicos, preferem a essência à existência. Uma constatação curiosa, como adendo, é a de que os físicos, que exigem a comprovação matemática para aceitar uma afirmação qualquer, não consideram o raciocínio lógico na sua intimidade, sem a confirmação física experimental, que precisa dessas equações matemáticas, psíquicas, para ser apresentada e concluída. Essa ciência apoiada no fenômeno físico exige que a consciência seja exclusiva do observador do objeto e do fenômeno, jamais admitindo que haja consciência fora do cérebro, isto é, no próprio objeto e no próprio fenômeno.

Isto nos parece necessário, para dizer que a evolução do Universo – e dentro dela, a História e a Geografia (na Terra, como nos outros planetas) – pode ser toda ela estudada, pesquisada e demonstrada científicamente com raciocínio lógico, com ou sem, apenas, aquelas equações matemáticas que povoam a Física e ainda condicionam a visão da Psíquica, povoada inclusive por tal matéria e energia “escuras”, nas quais as velocidades seriam superiores à da luz (300 mil quilômetros por segundo, aproximadamente) – por isso sendo “escuras” – fora da realidade, numa eterna atualidade que decresce em velocidade, do valor infinito (o ponto em todos os lugares ao mesmo tempo) para valores sucesivamente menores até a velocidade do fóton, mas crescendo no tempo e na “massa” até formar este “objeto”, que se apresenta simultâneamente como psíquico e físico, hesitante – como onda e partícula – na fronteira entre ambas as estruturas de consciência, surgindo como uma explosão de energia luminosa, que se conhece como o Big Bang, ocorrida no exato momento em que as velocidades decrescentes e as “massas” crescentes das estruturas de consciência, caindo para a velocidade da luz e subindo para essa “massa” do fóton, criaram a energia e a matéria, a partir daí, claras.

Assim, depois de muitos anos de perguntas, reflexões e desafios, tivemos a visão segura de que é possível haver consciência na anergia[2], no espaço aparentemente vazio, infinito, eterno, imóvel e frio, extremamente frio, do Nada, num Universo que nunca teve começo nem terá fim, porque sempre existiu e existirá como lugar de uma infinidade de pontos, isto é, posições – resultantes da interseção de infinitos eixos tri-axiais – tão próximas que, se fossem mais próximas seriam um só ponto. Separados por espaços infinitesimais, tão pequenos que, se fossem menores, não existiriam, num Universo que se mede pela soma desses espaços infinitesimais a ligar pontos de consciência de posição, evidentemente sem dimensão. Esta é uma afirmação que se confirma cientificamente, porque, sem a consciência de tais posições, estas não existiriam e consequentemente não existiria o espaço, com sua consciência universal.

Passo seguinte, a existência do tempo ainda mais facilmente se comprova, porque nada mais é do que a duração da consciência[3], qualquer consciência, em qualquer condição. Nada existe sem a consciência dessa existência, no seu lugar, numa duração qualquer, constituindo objetos móveis com espaço e tempo definidos, em um campo fixo infinito e eterno.


[2] O mesmo que anenergia, isto é, falta ou perda de forças ou de vigor – do grego an+érgon.
[3] Expressão conhecida desde a antiguidade pelos filósofos místicos egípcios e gregos e divulgada pela Antiga e Mística Ordem da Rosa Cruz.

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