Energia e Matéria

O corpo sólido geométrico formado na Atualidade pela relatividade de suas posições pontuais no espaço e alçado à Realidade pela percepção de sua posição no “espaço-tempo” – um ego – tem uma consciência tanto mais complexa quanto mais complexa é sua estrutura. Ainda infinitesimais, esses agregados de pensamento poderiam juntar-se aos milhares ou milhões, formando estruturas lineares, planas ou sólidas, como esferas, por exemplo, obedecendo o que poderemos considerar como a Segunda Lei da Psíquica: Todo pensamento pontual atrai outro pensamento pontual de modo a formar linhas, que se atraem para formar superfícies, que se atraem, curvam e dobram para formar corpos, unindo estes em estruturas psíquicas diversas e crescentes.

Assim, pensamentos estruturados em sólidos poliédricos justapostos linearmente formariam conjuntos psíquicos a se manifestar em ondas com freqüências também diversas e crescentes. Esses conjuntos assim em movimento geram a entidade fundamental da Física, a energia, que se estruturaria em corpúsculos de quase-matéria, livres no espaço tetradimensional. A atração da segunda lei, sempre atuando, envergaria estruturas planas compostas por tais poliedros, compactando-os em corpúsculos, com tendência para a forma esférica.

Nesta engenharia física do pensamento a se manifestar em blocos sólidos, no “espaço-tempo”, contudo, como energia – pensamento em ação – ainda não se tem matéria, mas apenas corpúsculos de quase-matéria (quamas13).

Por determinação da consciência em tais conjuntos, sempre na obediência à segunda lei, surge a necessidade de dar um volume considerável a eles, que os permitam atrair fortemente outros conjuntos. Esse comportamento, contudo, em obediência à primeira lei, tem por objetivo aumentar a complexidade das estruturas, para atender funções mais complexas.

Com tal necessidade, os corpúsculos com maior volume de pensamento (maior massa) e menos velocidade (menos energia) atraem os mais velozes, com pouca massa e muita energia, para um movimento circular orbital. Surge o átomo. Surge a matéria.

Aí, já estamos na plenitude da Física – quântica e clássica – com suas próprias leis, derivadas daquelas duas leis da Psíquica, com tudo já satisfatoriamente explicado por elas.

Os corpos físicos só existem, como os percebemos, porque os elétrons giram em torno dos núcleos atômicos. À massa do núcleo, corresponde um certo número de elétrons em órbita, em diversos planos, com tal velocidade que diríamos estar cada uma dessas partículas em todos os pontos de sua própria órbita quase ao mesmo tempo, sendo isso e nada mais, o que transforma um átomo quase vazio, numa esfera aparentemente compacta. Esfera que se une a outras esferas, compondo moléculas de substâncias, que, conforme as distâncias entre elas, se manifestam a todos nós como gases, líquidos ou sólidos.

Se pararmos os elétrons orbitais, nos átomos de um corpo material, deixa-se de perceber esse corpo, que se tornaria invisível e totalmente penetrável por outro. O que confere existência aos corpos materiais é o movimento orbital dos elétrons. Sem a matéria, a Física é apenas quase-matéria ou energia, em corpúsculos livres como os próprios elétrons, os fótons (estes se comportam como corpúsculos ou como ondas), os neutrinos, etc., assim como em ondas. Corpúsculos diferem de ondas, porque têm massa considerável.

A massa nada mais seria, portanto, do que certa quantidade de pensamento aglutinado em corpúsculos formados por (…bilhões/milhões/milhares… de) tetraedros de SOU e ESTOU, determinando a existência aqui e agora, comprimidos pela segunda lei da Psíquica de modo a se manifestarem como egos conscientes a perceberem outros egos conscientes e se relacionarem com eles, evoluindo e tomando novas formas, novas dimensões, novos comportamentos, constituindo conjuntos como os prótons, os nêutrons, os elétrons necessários aos átomos na sua diversidade e na complexidade dos corpos que estes formam.

Há corpúsculos que também se manifestam como ondas, conforme seu comportamento e sua função, segundo a conveniência de seu ego, sob tal ou qual estímulo exterior. Como tudo é pensamento, é através deste que se altera tudo e se promove a evolução (primeira lei da Psíquica) e a atração (segunda lei da Psíquica).

As forças fracas e fortes, nucleares, eletromagnéticas, gravitacionais, etc. da Física nada mais são do que desenvolvimentos da segunda lei a serviço da primeira lei, porque a Consciência evolui e determina a evolução das estruturas ditas energéticas e materiais, de modo que os átomos são por ela determinados a formar moléculas, algumas das quais foram orientadas a se reproduzir para formar seres que se reproduzem, com períodos cíclicos de existência (vida).

Há sempre um momento em que ondas e corpúsculos livres são convidados a formar átomos e nesse processo, ainda como quase-matéria, ocupam um estádio da evolução da consciência que já ocorreu e continua ocorrendo em todos os lugares, gerando matéria com os mais variados números atômicos e massas. Assim, os corpúsculos de quama se organizam em núcleos e órbitas para formar átomos de todos os elementos ditos químicos. Cada átomo com seu ego.

Os egos atômicos se organizam para formar moléculas (egos moleculares) e algumas destas se reproduzem para formar células (egos celulares), buscando estruturas sempre mais complexas para a realização de funções mais complexas, que promovem experiências mais complexas, que levam novos dados para a Consciência (ego real), que os processa e cria novos procedimentos, que exigem seres mais complexos para executá-los e assim por diante.

Com esta visão, a evolução das espécies é uma conseqüência das necessidades da Consciência, que também modifica o ambiente, para atender as condições exigidas pelos novos seres14.

Nesse contexto, a Consciência projeta-se da Atualidade meramente espacial para atuar na Realidade, com sua memória material, que se perpetua na continuidade mineral cósmica (gases, líquidos e sólidos), aí criando a energia estelar que promove a reprodução molecular e a vida, gerando seres que se individualizam (células), com seus próprios egos em evolução a organizarem-se em corpos cada vez mais complexos, vivendo experiências novas e alimentando consciências neurais (surge o cérebro) que se iniciam nos embriões e desaparecem nos cadáveres.

Para que tais experiências não se percam com a morte e continuem servindo a evolução dos seres é necessário transferir seus dados para uma memória eterna e assim, cada ego tem sua memória física na Realidade (material e energética) e sua memória psíquica na Atualidade. Em outras palavras, a Consciência física, real, neural, por exemplo, no cérebro do homem, ligada à Consciência psíquica, atual, eterna, na Atualidade (Inconsciente do homem), determina um período de sono para que o homem saia da sua consciência e penetre no seu Inconsciente, transmitindo periodicamente os dados obtidos em cada período de vigília para um processador, seu ego eterno, que os digere, absorvendo tudo o que é útil para sua evolução e desprezando os resíduos inúteis, devolvidos ao cérebro como sonhos, que são programados para serem expelidos, isto é, esquecidos. Ao fim da vida do corpo humano, a Consciência do ego físico (neural) é destruída com seu corpo material e a Consciência do ego psíquico (atual, eterno), permanece como uma pasta fechada num arquivo atual até que encontre um novo corpo físico, a nascer, ao qual se liga na Realidade, para continuar suas observações, suas experiências, seu aprendizado, seu desenvolvimento, sempre em busca de sua evolução.


 13 A palavra quama é assim proposta pelo autor já no seu livro Humanidade (referência 18) e em textos posteriores, para designar todo corpúsculo energético que se comporta livremente no “espaço-tempo”, ainda fora da estrutura atômica, sem a qual não há matéria.
14 A teoria da origem das especies, de Darwin/Wallace, tem sua coluna vertebral na “seleção natural”, na medida em que cada especie surge dos espécimes que sobrevivem por sua capacidade de enfrentar e vencer os obstáculos do ambiente e das suas próprias experiências, adaptando-se às novas condições. Esta observação é real, é verdadeira, mas não explica por que os seres sobreviventes são mais capazes, ou seja, por que geneticamente evoluem. A seleção não ocorre por acaso, mas por necessidade da consciência de equipar o ser com novos órgãos para organizar novas funções, mais complexas, para realizar novas experiências que produzam novas informações, para sua evolução psíquica. É essa decisão de evoluir, da consciência, que promove a mutação genética (referências 03, 17, 21).

 VOLTAR